FRANKFURT — Uma exposição no Museu Städel reúne 10 obras que apresentam Maria Madalena como penitente, discípula, personagem sensual, figura de luto e mulher autoconfiante. A mostra Maria Madalena: Pecado. Oração. Amor fica em cartaz de 17 de setembro de 2026 a 17 de janeiro de 2027.
A seleção aborda a mistura histórica entre três personagens: a pecadora anônima que ungiu os pés de Jesus, Maria da Betânia e a Maria Madalena mencionada nos relatos bíblicos. Para o historiador da arte Bastian Eclercy, essa combinação criou diferentes versões da personagem.
Entre os destaques está A Elevação de Santa Maria Madalena, de Albrecht Dürer, obra em que seis anjos conduzem Madalena aos céus. A cena se baseia na Legenda Áurea, texto do século 13 atribuído a Jacobus de Voragine.
Em Maria Madalena no Sepulcro, Giovanni Girolamo Savoldo usa o vaso e o vestido vermelho para sugerir a identidade da mulher retratada. Já Jesus Aparece a Maria Madalena, de Lavinia Fontana, mostra uma das primeiras representações da santa feitas por uma artista mulher.
A associação entre Madalena e a sexualidade aparece em Madalena Penitente, de Guido Cagnacci. A obra traz a personagem com uma caveira, símbolo ligado à brevidade da vida e à preparação da alma para encontrar Deus. Em contraste, Georges de La Tour apresenta uma figura mais introspectiva em Madalena Penitente em Meditação, com espelhos e velas relacionados ao tempo e à autorreflexão.
A mostra também inclui A Dor de Madalena sobre o Corpo de Cristo, de Arnold Böcklin, na qual ela lamenta intensamente a morte de Jesus, e Cristo e a Pecadora, de Max Beckmann, associada à passagem da mulher que seria apedrejada.
A visão contemporânea aparece em Naomi Campbell como Maria Madalena, de Marlene Dumas, que discute celebridade, reputação e os padrões de beleza atribuídos à santa. Em O Desafio, de Nieves González, Madalena surge com roupas vermelhas, uma caveira e um casaco grande, em uma imagem ligada ao domínio e à autonomia.








