LOURDES — O papa Leão XIV rejeitou a eutanásia e o suicídio assistido durante um encontro com cerca de 5 mil pessoas doentes e cuidadores no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em 27 de setembro. Para o pontífice, a legalização de uma prática não determina que ela seja moralmente aceitável.
“É impossível considerar causar a morte como algo normal. O que é legal não é necessariamente moral”, afirmou Leão. As declarações foram recebidas com aplausos e gritos de “Bravo”.
A França legalizou a eutanásia e o suicídio assistido neste verão, tornando-se o quinto país europeu a adotar essas práticas, depois de Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Espanha. Suíça e Áustria também permitem o suicídio assistido. Segundo o ensinamento católico, as duas práticas são proibidas.
A eutanásia consiste em encerrar intencionalmente a vida de uma pessoa para aliviar seu sofrimento. Na morte assistida, o próprio paciente toma os medicamentos que provocam a morte, com orientação médica.
Cuidados e dignidade
Leão XIV se reuniu com funcionários e hóspedes doentes do Accueil Notre-Dame, acomodação residencial classificada como estabelecimento de saúde que recebe peregrinos doentes, deficientes e frágeis em Lourdes. O papa pediu a criação de estruturas de cuidados paliativos e defendeu que os profissionais acompanhem os pacientes com a mesma ternura oferecida no santuário.
“Aqui em Lourdes, a cidade dos doentes e da esperança, apelo a toda a comunidade de saúde para que se lembre do significado profundo de sua vocação, que é cuidar de uma pessoa que sofre, não eliminar essa pessoa”, disse.
Mais cedo, o papa elogiou a conferência episcopal francesa pela oposição à legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Ele também incentivou os bispos a continuar defendendo esses valores.
Lourdes recebe mais de 3 milhões de pessoas todos os anos. O santuário ocupa 55 hectares e inclui a Gruta de Massabielle, onde Santa Bernadette Soubirous teria visto 18 aparições da Virgem Maria a partir de 11 de fevereiro de 1858. Visitantes relataram 7 mil curas; após investigações, a Igreja reconheceu 72 como milagrosas.
Ao concluir o encontro, Leão afirmou aos doentes que eles não são um fardo, mas parte essencial da humanidade e um tesouro para a Igreja. Em seguida, caminhou até o mosteiro das freiras carmelitas descalças, fundado em 1876 às margens do rio Gave de Pau.






