NOVA YORK — Quatorze países latino-americanos e caribenhos anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas. A medida foi divulgada pelo Departamento de Estado americano e pelos governos participantes do Escudo das Américas.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções brasileiras designadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras em junho, aparecem nos itens 16 e 17 da lista.
A declaração prevê congelamento de bens, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações. Cada país deverá adotar as medidas cabíveis conforme suas próprias normas, sem a criação de uma legislação única para os participantes.
A lista também inclui a Mara Salvatrucha (MS-13), o Trem de Aragua, os cartéis de Sinaloa e de Jalisco Nueva Generación (CJNG), o Clã do Golfo, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Sendero Luminoso.
Pedido de Trump
A iniciativa foi anunciada horas depois de Donald Trump pedir aos integrantes do Escudo das Américas que adotassem a classificação americana e aplicassem sanções contra as 24 organizações. Durante uma reunião da aliança, em Nova York, o presidente afirmou: “Agora, nós estamos travando uma guerra contra eles”.
Segundo o documento, os países pretendem atuar individualmente e em conjunto contra os grupos. Trump apresentou o combate aos cartéis como prioridade da aliança e disse que os Estados Unidos apoiarão as nações que agirem contra as organizações.
A iniciativa reúne 19 países e busca ampliar a cooperação regional em segurança, combate ao narcotráfico, compartilhamento de informações e ações contra organizações criminosas. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago estão entre os governos que divulgaram a declaração.
Brasil e México não participam da articulação. O Brasil também não aderiu ao Escudo das Américas.
O governo brasileiro rejeitou a avaliação dos Estados Unidos sobre o PCC e o CV e defendeu mecanismos próprios de combate ao crime organizado e de cooperação internacional. Na ONU, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a cooperação contra o crime organizado, ressaltou a soberania dos países e rejeitou a transferência do controle de fronteiras ou de instalações militares brasileiras a outras nações.
Lula apresentou duas propostas de cooperação aos Estados Unidos para o combate ao crime organizado, mas ainda não recebeu resposta de Washington.








