Jack Valero, porta-voz do Opus Dei no Reino Unido pelos últimos 25 anos, publicou o livro “El Opus Dei sin filtros. Por qué me hice de la Obra”, no qual explica por que decidiu entrar na instituição e reúne experiências de cerca de 20 membros.
Fundado por São Josemaria Escrivá de Balaguer em 1928, o Opus Dei é uma prelazia pessoal da Igreja Católica com quase 100.000 membros em quase 70 países. O nome significa “Obra de Deus” em latim, e seus integrantes costumam chamar a instituição de “a Obra”.
Valero afirmou que, após anos respondendo perguntas sobre o apostolado, percebeu que uma explicação “de cima para baixo” poderia dificultar a compreensão sobre a instituição. Ao receber a proposta de escrever o livro no final de 2025, escolheu apresentar o Opus Dei “de baixo para cima”, por meio dos relatos dos próprios membros.
A obra inclui testemunhos de supranumerários, homens e mulheres com vocação para o matrimônio; numerários e associados, grupos formados por pessoas celibatárias por razões apostólicas; e numerárias assistentes.
A atuação das numerárias assistentes foi alvo de controvérsia após 43 integrantes na Argentina afirmarem ter sido “vítimas de tráfico”. Valero disse que os relatos sobre essa vocação foram uma experiência de aprendizado e incluiu no livro os testemunhos de duas integrantes, uma no início e outra no fim da publicação.
Formação e reforma dos estatutos
Segundo Valero, o Opus Dei não mantém um programa político nem um projeto estruturado para transformar a sociedade. A instituição oferece formação para ajudar as pessoas a se aproximarem de Jesus Cristo, responderem a Deus e santificarem as atividades cotidianas, com o objetivo de inspirá-las a mudar o mundo.
A prelazia também passa por um processo de alteração dos estatutos, determinado pelo Papa Francisco no motu proprio Ad Charisma Tuendum, de 2022. Em junho de 2025, o Opus Dei apresentou uma proposta e aguarda a decisão do Papa Leão XIV.
Valero afirmou que a instituição muda com a Igreja e que a forma de governança atual é diferente da adotada há 40 anos. Para ele, a administração deve acompanhar e apoiar as pessoas, e não apenas dar ordens.
O porta-voz disse esperar que o livro seja lido por integrantes do Opus Dei e por outras pessoas, para mostrar a variedade de formas de viver essa vocação e ampliar a compreensão sobre a instituição.







