NOVA YORK — A Santa Sé afirmou à Organização das Nações Unidas (ONU) que o discurso de ódio ameaça a dignidade humana, amplia divisões e pode favorecer episódios de violência e perseguição.
A declaração foi feita pelo arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis, novo observador permanente da Santa Sé na ONU. Em 17 de setembro, ele participou da Conferência Global sobre Promoção do Diálogo Inter-religioso e Intercultural e Tolerância no Combate ao Discurso de Ódio, em Nova York.
Foi o primeiro discurso de El-Kassis desde sua nomeação pelo Papa Leão XIV, em julho. Na ocasião, o arcebispo reafirmou que todas as pessoas têm uma dignidade humana inviolável, que não pode ser reduzida.
El-Kassis disse que o discurso de ódio, quando direcionado a indivíduos ou comunidades por causa de religião, etnia, nacionalidade ou outra característica, contraria o dever de amar o próximo. Para ele, esse tipo de manifestação prejudica o debate público, alimenta a divisão e pode abrir caminho para violência e perseguição.
A Santa Sé também reconhece o direito à liberdade de expressão, mas considera necessário levar em conta as responsabilidades associadas a esse direito.
Referência do papa
Durante o discurso, El-Kassis mencionou a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV. Ele citou a atenção às palavras como uma contribuição para uma civilização mais humana.
O arcebispo também afirmou que, para o papa, uma comunicação sem agressividade permite apresentar diferentes visões de mundo e agir de acordo com a dignidade humana.








