O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera chegar a um acordo com Cuba e disse que, na avaliação dele, não será necessário recorrer às Forças Armadas contra o governo cubano. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca.
“Eu diria que Cuba e nós faremos um acordo. Não acredito que precisaremos dos militares”, afirmou Trump. Ele também disse que pretende “ajudar Cuba” e defendeu uma abertura do país, citando cubano-americanos interessados em retornar à ilha.
Avaliações militares
A declaração ocorreu em meio à pressão de Washington sobre Havana e a informações sobre preparativos militares americanos na região. A Reserva do Exército dos EUA analisa a possibilidade de disponibilizar ao Comando Sul, em um período de 90 a 120 dias, unidades de apoio, como polícia militar, equipes médicas, engenheiros e estruturas de logística e atendimento de emergência.
Um documento interno não cita Cuba nem representa uma ordem de mobilização. Autoridades americanas relacionaram o planejamento às opções avaliadas para a ilha. O Comando Sul afirmou que faz avaliações contínuas sobre necessidades operacionais em sua área de responsabilidade e não comentou cenários específicos.
Em julho, integrantes do alto escalão da Defesa também haviam estudado possibilidades de operação em Cuba. As fontes disseram que os estudos não significavam autorização de Trump para um ataque.
Pressão sobre Havana
A pressão aumentou depois da operação americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro. A mudança no governo venezuelano afetou Cuba no setor energético, porque Caracas era um de seus principais fornecedores de petróleo. A redução dos embarques e as restrições de Washington agravaram a falta de combustível e os problemas no sistema elétrico cubano. Em agosto, a ilha enfrentou outro apagão nacional.
Em janeiro, Trump declarou emergência nacional relacionada a Cuba e criou um mecanismo para impor tarifas adicionais a países que fornecessem petróleo à ilha. Em 17 de setembro, Washington anunciou restrições contra 11 entidades e autoridades cubanas, incluindo empresas ligadas à exploração de níquel e ao setor militar.
Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, Trump chamou Cuba de “Estado fracassado” e afirmou que a liberdade chegaria à ilha. A delegação cubana deixou o plenário.
Apesar do discurso, os canais diplomáticos não foram totalmente fechados. No início de setembro, o chanceler cubano Bruno Rodríguez negou que houvesse negociações com Washington. Informações posteriores indicaram a participação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em contatos sobre Cuba. Em maio, a vice-chanceler Josefina Vidal afirmou que o risco de uma agressão americana havia aumentado.








