Donald Trump elogiou o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial brasileira, mas voltou a evitar um apoio formal ao candidato do PL. O presidente dos Estados Unidos classificou o resultado como uma “vitória muito, muito grande” e disse que a votação foi “incrível”.
Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Trump, porém, não pediu votos para o senador nem declarou que desejava sua vitória.
A avaliação de integrantes da Casa Branca é que uma manifestação explícita poderia produzir efeito contrário ao pretendido. A preocupação está ligada ao uso do tema da soberania nacional por Lula, que tem apresentado tarifas, sanções e pressões americanas contra o Brasil como interferência dos Estados Unidos na eleição.
Um assessor da Casa Branca afirmou que, quando Trump deixa de ser um tema central da campanha, Lula encontra mais dificuldade para explorar o discurso de interferência americana. Por isso, um apoio aberto a Flávio poderia oferecer ao presidente brasileiro justamente um argumento que Washington tenta retirar da disputa.
A estratégia também teria sido discutida por aliados de Flávio. Paulo Figueiredo afirmou que a candidatura presidencial não foi tratada durante uma visita do senador à Casa Branca e que Trump não ofereceu apoio formal.
Cálculo político
Cezar Roedel, mestre em relações internacionais e estrategista internacional, avaliou que a postura de Trump está relacionada a um cálculo político. Para ele, o presidente americano pode demonstrar proximidade com Flávio sem transformar a eleição brasileira em um confronto entre Washington e Brasília.
Flávio Pierobon, advogado, mestre em Ciência Jurídica e professor da Universidade Positivo, afirmou que Trump também precisa considerar a possibilidade de Lula continuar no poder. Nesse cenário, um apoio explícito poderia dificultar uma futura relação entre os governos.
Igor Lucena, doutor em relações internacionais, apontou ainda o risco de adversários usarem uma declaração de Trump para questionar a legitimidade de uma eventual vitória de Flávio.
Trump já apoiou diretamente candidatos em outras eleições. Na Colômbia, declarou apoio a Abelardo de la Espriella, que derrotou Iván Cepeda. Em Honduras, pediu votos para Nasry Asfura e vinculou o apoio financeiro americano ao resultado. Na Argentina, apoiou o partido de Javier Milei nas eleições legislativas e condicionou a manutenção do suporte americano ao desempenho da legenda.
Em outros casos, Trump não declarou apoio durante a campanha, mas celebrou posteriormente vitórias de aliados no Equador, no Chile e no Peru. No Canadá e na Austrália, tarifas e declarações do presidente americano dominaram parte do debate eleitoral e foram associadas à recuperação de candidatos progressistas.
A tendência, segundo a avaliação atribuída à Casa Branca, é que Trump continue sem participar diretamente do segundo turno brasileiro. Para Roedel, uma intervenção explícita acrescentaria um risco desnecessário e a eleição deve ser decidida pelos brasileiros.
Lucena também citou as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos como um fator de atenção para Trump. A votação ocorrerá em 3 de novembro e envolverá 435 assentos da Câmara dos Deputados, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 eleições para governador.







