A União Europeia ampliou o monitoramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) diante da expansão da facção no narcotráfico internacional. Relatórios da Eurojust e autoridades de Portugal e da França descrevem alianças com organizações criminosas europeias e uma articulação para interromper fluxos financeiros e logísticos.
O PCC passou a atuar em diferentes etapas da cadeia de distribuição. A organização firmou acordos com produtores de cocaína na Bolívia, no Peru e na Colômbia e controla portos estratégicos no Brasil para o escoamento da droga. No mercado europeu, estabeleceu parcerias com a máfia italiana ’Ndrangheta e grupos sérvios.
Nessa estrutura, organizações europeias ficam responsáveis pela distribuição aos consumidores, enquanto o PCC fornece a cocaína em condições vantajosas. A combinação fortaleceu a posição da facção no comércio transatlântico, conforme os relatórios citados.
Dinheiro e intermediários
As investigações europeias passaram a priorizar o rastreamento financeiro e os intermediários envolvidos na operação. O objetivo é bloquear ativos, identificar empresas de fachada e acompanhar os contatos entre fornecedores e transportadores.
Companhias de transporte e hotéis estão entre as estruturas apontadas como possíveis instrumentos para ocultar capital ilícito. Os investigadores também monitoram rastros digitais e físicos deixados pela movimentação dos grupos.
A abordagem europeia difere da adotada pelos Estados Unidos. Em junho de 2026, Washington classificou o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida permite a aplicação de sanções contra indivíduos e estruturas econômicas ligadas às organizações, além de ataques diretos.
A União Europeia aumentou a cooperação policial com o Brasil por meio da Europol e da Polícia Federal, mas ainda não adotou a classificação de grupo terrorista. O bloco utiliza instrumentos do Direito Penal tradicional, com foco na cooperação judiciária e nas investigações financeiras.
Atuação em Portugal e na França
Portugal considera o avanço das facções brasileiras uma ameaça à paz social. O país registrou crimes relacionados à lavagem de dinheiro por engenharia social e ao controle de rotas de tráfico em Cascais. Também promove conferências para capacitar magistrados e policiais sobre o funcionamento do PCC.
Na França, foi identificada a atuação de quatro grupos brasileiros na Guiana Francesa, território que faz fronteira com o Brasil. Senadores franceses afirmam que a região é usada como porta de entrada para a Europa e associam essa atuação a assaltos armados, assassinatos e garimpo ilegal.







