A atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na Bolívia levou o governo do país a pedir apoio internacional e a reforçar ações de segurança nas áreas próximas à fronteira com o Brasil.
O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que os grupos controlam rotas e regiões, cobram pedágios pela passagem de mercadorias e recrutam bolivianos. O alerta foi apresentado na Assembleia Legislativa da Bolívia na quarta-feira (16), durante a defesa da prorrogação do estado de emergência por mais 90 dias.
Segundo Oviedo, uma facção do PCC tenta assumir o controle do município de Santa Rosa del Abuná, em Pando, na fronteira com o Brasil e o Acre. O ministro disse que a organização tomou posse de rodovias e passou a cobrar pela passagem de mercadorias.
Ele também afirmou que uma rota entre Santa Rosa e Montevidéu, próxima à fronteira brasileira, é controlada pelo CV. De acordo com o ministro, o grupo está armado com fuzis e exige pagamento de proteção. Oviedo declarou ainda que as duas organizações mantêm uma presença permanente na Bolívia e disputam um corredor usado para transportar drogas ao exterior.
Reforço na fronteira
Oviedo informou que a Polícia Nacional seria enviada imediatamente a Pando, com equipes de elite, após o aumento dos níveis de violência. O governo também mobilizou militares e forças especiais para San Ignacio de Velasco, na região da Chiquitania, no leste da Bolívia e próxima à fronteira com o Brasil. A medida ocorreu após uma onda de violência que deixou ao menos quatro pessoas mortas a tiros em dois dias.
O governo boliviano disse contar com a cooperação da agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, da Polícia Federal do Brasil e de organizações policiais da União Europeia.
Em maio, o brasileiro Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do PCC, foi preso no departamento boliviano de Santa Cruz. Ele era procurado desde abril de 2020. No Brasil, havia recebido condenações que somavam quase 126 anos por tráfico, associação para o tráfico e pelo sequestro de um Boeing da extinta Vasp, em agosto de 2000. O grupo desviou a aeronave para a região de Porecatu, no norte do Paraná, e roubou nove malotes do Banco do Brasil com cerca de R$ 5,5 milhões.
Cooperação com os Estados Unidos
A Embaixada dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (17) que policiais bolivianos receberam treinamento de agentes americanos em táticas de controle de distúrbios. A capacitação ocorreu nas cidades de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz, com participação da polícia estadual da Pensilvânia.
Liv Kilpatrick, representante do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei dos Estados Unidos, afirmou que a parceria também envolve o combate ao narcotráfico. “Compartilhamos o objetivo de proteger a segurança e a democracia em nosso hemisfério”, disse.
Em relatório enviado ao Congresso americano, o governo de Donald Trump classificou a Bolívia como um dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas. O documento afirmou que, nos últimos 12 meses, o país não fez esforços substanciais para cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico e as exigências previstas no Título 22 do Código dos Estados Unidos.
O governo americano declarou que a assistência à Bolívia, a Mianmar e à Colômbia é vital para os interesses dos Estados Unidos. O relatório citou a extradição do traficante uruguaio Sebastián Marset, ligado ao PCC, para os Estados Unidos em março deste ano.
A gestão Trump também afirmou que o cultivo de coca aumentou durante o governo anterior e que a corrupção continua dificultando as investigações. O governo disse que poderá reavaliar o status da Bolívia caso o país reduza a produção ilícita de drogas no próximo ano e avance no combate à corrupção.








