SÃO PAULO — Os autos da investigação sobre o filme Dark Horse não comprovam transferências bancárias diretas de recursos públicos para a produção. Os documentos também registram que parte das suspeitas depende de novas análises e da consolidação de provas.
A apuração foi remetida ao Supremo Tribunal Federal após pedido da Polícia Federal. No domingo (13), o ministro Flávio Dino determinou o fim do sigilo do caso, que investiga possíveis desvios relacionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), à Academia Nacional de Cultura (ANC) e à Go Up Entertainment, produtora do filme sobre Jair Bolsonaro.
Hipóteses usadas na investigação
As empresas são ligadas a Karina Ferreira da Gama. A relação entre os recursos investigados e o longa é baseada, entre outros pontos, no compartilhamento de sede na Avenida Paulista, na coincidência entre o período das gravações e a vigência de um contrato público e na possibilidade de triangulação por contas de empresas subcontratadas e de pessoas físicas.
O contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo, no projeto WiFi Livre SP, foi firmado em 2024. O valor inicial era de R$ 108 milhões e chegou a R$ 157 milhões após aditivos. Também são investigadas emendas de Mário Frias de R$ 2 milhões, destinadas a projetos sociais do instituto.
Nas quase quatro mil páginas divulgadas, não foi identificada uma operação financeira concreta que ligasse diretamente as contas do ICB, da ANC ou do contrato municipal à Go Up. Karina negou que o filme tenha recebido dinheiro público: “Dark Horse não tem emenda. Não existe emenda para Dark Horse, nenhuma emenda.”
Outros pontos sob apuração
Mário Frias é investigado na operação Make Up, deflagrada no dia 10 pela Polícia Federal. A decisão de Dino o relaciona a suspeitas de desvio de recursos públicos, enquanto o deputado nega irregularidades e afirma confiar no arquivamento do processo.
Relatórios mencionados na decisão apontam transferências de R$ 645 mil feitas por Frias à Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. O valor é comparado aos rendimentos mensais declarados pelo parlamentar, de R$ 44.008,52.
A investigação também cita contratos e notas fiscais do projeto WiFi Livre SP. O ICB teria firmado contratos de R$ 98 milhões com subcontratadas e apresentado R$ 8,5 milhões em faturas sem valor fiscal, canceladas ou emitidas pelo próprio instituto. Dos 5 mil pontos previstos, 3.200 teriam sido instalados.
A polícia de São Paulo informou que 27 aparelhos foram apreendidos. Ao menos 13 celulares, computadores e pendrives foram recusados pela perícia por problemas nos lacres. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que os itens foram novamente lacrados e depois encaminhados à perícia.
Os autos ainda mencionam uma possível ligação com o PCC, baseada em relatórios de inteligência que não constam do inquérito. Dino determinou a quebra dos sigilos bancários de Karina e de empresas relacionadas a ela. A medida deverá permitir a confirmação ou o descarte das hipóteses investigadas.








