SÃO PAULO — A proibição das bets passou a integrar as propostas centrais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. As campanhas dos dois candidatos disputam um eleitorado em que 73% defendem o fim das apostas online, conforme pesquisa Atlas/Bloomberg.
Na sexta-feira (25), Lula anunciou, em São Paulo, um pacote de medidas para proibir as bets. O evento foi realizado na avenida Paulista, às 17h, com o nome de “Apresentação de novas medidas de proteção às famílias e à economia popular”. O presidente tenta a reeleição para o quarto mandato.
Na noite anterior, em Maceió, Lula havia antecipado a iniciativa. “Eu vou acabar com as bets antes delas acabarem com o Brasil”, afirmou durante discurso. O presidente também disse que os jogos passaram a estar dentro das casas, nos celulares de familiares.
Proposta da oposição
Flávio Bolsonaro afirmou, em uma transmissão nas redes sociais na quarta-feira (23), que pretende acabar com os cassinos virtuais caso seja eleito. O senador citou o “jogo do tigrinho” e o responsabilizou pelo endividamento da população, fazendo uma distinção entre esse tipo de plataforma e apostas em competições esportivas reais.
“O cassino online tem que acabar”, disse Flávio. A declaração foi feita ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador paulista que busca a reeleição, e de Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo.
Flávio também atribuiu ao governo Lula o avanço do jogo virtual e afirmou que a quantidade de apostadores quase dobrou em relação ao fim do governo Bolsonaro. Segundo o senador, o cassino online foi regulamentado durante a gestão de Lula.
Clubes e pesquisa
A iniciativa do governo pode afetar clubes de futebol e emissoras de televisão. Casas de apostas que patrocinam equipes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já notificaram times sobre a possibilidade de encerrar contratos comerciais. Entre os clubes da Série A, 14 dos 20 exibem marcas de bets em áreas de destaque das camisas.
Governo federal e clubes negociam um plano de socorro financeiro para o pagamento de dívidas, com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A discussão, que já ocorria havia meses, ganhou ritmo após a proposta de acabar ou restringir as apostas.
A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que 21% são contra a proibição e 6% consideram o tema indiferente. Para 59,9% dos eleitores, as bets causam apenas prejuízos à sociedade; outros 28,6% veem mais prejuízos que benefícios.
O levantamento ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04739/2026.








