Não há, até o momento, provas de que Gilmar Mendes tenha tratado pessoalmente de precatórios com Dalide Corrêa ou favorecido o Banco Master em decisões judiciais. Registros do STF indicam que o ministro foi voto vencido em casos que beneficiaram o grupo econômico de Daniel Vorcaro.
O gabinete de Gilmar Mendes negou as afirmações atribuídas a executivos do banco e classificou as mensagens como falsas. A explicação é que Dalide ocupou apenas um cargo técnico no instituto de ensino fundado pelo ministro e deixou a função em 2016.
A advogada também negou qualquer sociedade com o ministro. Dalide Corrêa afirmou que atuou somente em instâncias inferiores da Justiça e que nunca trabalhou em processos no Supremo.
As mensagens foram apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Nos diálogos, diretores do Banco Master se referiam à advogada como “sócia do GM”, em alusão às iniciais de Gilmar Mendes. Um deles descreveu o escritório como um “canal direto com o STF”.
Pagamentos e precatórios
De acordo com as conversas e a investigação sobre movimentações financeiras, os termos eram usados para pressionar os setores financeiro e de tesouraria a liberar pagamentos urgentes ao escritório de Dalide. Os repasses somaram R$ 33 milhões apenas em 2024.
Os valores estavam relacionados ao mercado de precatórios, que são dívidas obrigatórias do governo após derrotas em processos judiciais. Como o pagamento pode levar décadas, o Banco Master comprava os créditos de terceiros com desconto e recebia o valor integral posteriormente.
Nesse caso, o banco acompanhava ações bilionárias movidas por usinas de açúcar contra o governo federal. A atuação de Dalide ocorria em processos que serviam de base para a geração desses créditos judiciais.
A apuração também monitora contratos entre o ex-banqueiro e escritórios de advocacia com algum grau de proximidade familiar ou de amizade com integrantes da Corte. Não foram apresentadas, porém, evidências de benefício ao banco por decisões de Gilmar Mendes.








