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Política

Decisão autoriza buscas contra deputado em investigação sobre suposta venda de influência

PF apura se Cezinha de Madureira oferecia atuação junto a ministros mediante pagamentos ligados ao resultado de processos.

Decisão autoriza buscas contra deputado em investigação sobre suposta venda de influência

A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares, esposa do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), no Aeroporto de Congonhas, em 25 de agosto de 2026. O episódio é citado na investigação que apura uma possível estrutura de comercialização de influência sobre ministros de tribunais superiores.

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou quatro mandados de busca e apreensão contra o deputado e Valéria no Distrito Federal e em São Paulo. A medida integra a terceira fase da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025 para investigar suspeitas de tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro de emendas parlamentares.

Contratos e processos

A PF investiga se Cezinha teria usado o mandato para transmitir a terceiros a impressão de que poderia influenciar ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os pagamentos sob suspeita seriam vinculados ao resultado de processos em andamento e formalizados por contratos de honorários e cessões de crédito.

Entre as pessoas ligadas à apuração está Mariângela Fialek, responsável pelo setor que direciona emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. Segundo a investigação, ela captaria causas e produziria peças jurídicas. Os clientes seriam encaminhados a Valéria para a elaboração dos contratos e das cessões.

Cezinha teria feito contatos e “despachos” com ministros, usando o trânsito institucional associado ao mandato. Mensagens analisadas pelos investigadores registrariam expressões como “já falei”, “despachei sim” e “assunto reforçado agora”. Os documentos mencionam R$ 500 mil por uma decisão favorável em um caso e até R$ 2 milhões em outro, com pagamento condicionado à revogação de prisão preventiva.

Dino afirmou que o deputado não tem habilitação para atuar como advogado, mas aparentaria usar a função parlamentar para criar essa percepção de influência. O ministro também ressaltou que receber advogados e parlamentares em audiências é uma atividade legítima. Para ele, a investigação trata da “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou”.

Ministros não são investigados

A decisão informa que os ministros e magistrados mencionados nas conversas não são investigados nem suspeitos de irregularidades. “Não há, nos elementos reunidos, notícia de solicitação, de aceitação ou de recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário”, escreveu Dino.

A PF avalia que o dinheiro encontrado com Valéria poderia estar relacionado ao pagamento de honorários fora do sistema bancário, dificultando o rastreamento dos recursos. Cezinha é apontado na investigação como amigo e aliado de André Mendonça, do STF, e teria articulado um contato do ministro com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do liquidado Banco Master.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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