SÃO PAULO — A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14/9) a terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foram autorizados quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) é apontado como o principal alvo. A investigação apura se integrantes do grupo negociaram com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionado ao resultado de processos em andamento. Eles teriam afirmado que poderiam influenciar decisões judiciais.
A PF afirmou que não encontrou, até o momento, elementos indicando a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados. A corporação declarou: “Não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados”.
Origem da investigação
A fase atual é um desdobramento da apuração iniciada em dezembro de 2025 sobre possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Na primeira etapa, a principal alvo foi Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). Lira não foi alvo da operação.
Mariângela trabalhava no setor responsável pela organização da indicação de emendas. Na ocasião, policiais federais fizeram buscas em salas usadas por ela na Câmara e em sua residência, além de apreenderem um celular.
A decisão de Dino mencionou relatos de deputados, documentos, planilhas e dados telemáticos que indicariam possível atuação direta de Mariângela na distribuição das emendas. A investigação chegou até ela após depoimentos de Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI), do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e da servidora Elza Carneiro, da Câmara.
Dino também citou alterações manuais no destino de recursos, descritas como funcionamento em “conta de padaria”. Parte das verbas teria como destino a Codevasf, onde Mariângela ocupava o cargo de conselheira fiscal. Para a PF, os elementos reunidos reforçam a hipótese de uma estrutura organizada para direcionar emendas irregularmente, beneficiando aliados políticos e bases eleitorais ligadas ao então presidente da Câmara.








