SÃO PAULO — A candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer elevar de 40% para 70% a participação da produção nacional no abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta foi apresentada por Nilton Pereira Junior, diretor de programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde e representante da campanha, durante evento com entidades da indústria da saúde nesta 5ª feira (24.set.2026).
Atualmente, 60% dos insumos necessários ao SUS vêm do exterior, segundo Nilton. Para ampliar a fabricação no país, o programa prevê a expansão das PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo). Há 31 parcerias em vigor com instituições privadas e laboratórios públicos, como Instituto Butantan, Fiocruz, Bio-Manguinhos e Hemobrás.
Produção e pesquisa
Nilton citou a retomada da produção de insulina no Brasil após uma interrupção de 20 anos. Por meio de uma PDP entre o Estado de Minas Gerais e a iniciativa privada, o país voltou a fabricar insulina glargina. Ele também afirmou que mais de 160 medicamentos foram incorporados ao SUS nos últimos 4 anos, incluindo produtos que aguardavam a inclusão havia até 12 anos.
Na pesquisa clínica, o Brasil avançou 30% entre 2022 e 2026 e passou da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial de produção científica na área. A meta apresentada é colocar o país entre os 10 primeiros. Também foi citada uma parceria com o México para que a agência reguladora do país reconheça análises brasileiras como prioritárias.
O fortalecimento da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está entre as medidas propostas. Segundo Nilton, foram adquiridos softwares, incorporada inteligência artificial à análise de processos e criadas novas vagas por meio do programa Agora Tem Especialistas.
Digitalização e atendimento
O plano também inclui investimentos em tecnologia da informação, qualificação de gestores e fiscalização do uso de recursos públicos. A digitalização do SUS é apresentada como uma das prioridades da candidatura, ao lado da redução do desperdício.
A atenção primária é outro eixo. Nilton afirmou que o orçamento federal destinado à área cresceu 70% de 2023 a 2026 em relação ao valor de 2022. A meta é garantir que de 80% a 90% da população brasileira tenha uma equipe de saúde da família próxima de casa. O programa Saúde na Escola foi citado como ação preventiva relacionada à redução da gravidez na adolescência, ao aumento da cobertura vacinal e à prática de atividades físicas entre crianças e adolescentes.
Para os primeiros 100 dias, a campanha lista três frentes: reduzir filas na atenção especializada; ampliar a saúde da mulher e do idoso; e expandir o complexo produtivo da saúde. A primeira inclui centros de tratamento oncológico completos em todas as macrorregiões, com cirurgia, quimioterapia e radioterapia, além do cumprimento da regra dos 30 dias entre diagnóstico e início do tratamento.
A candidatura também propõe ampliar maternidades, centros da mulher e o acesso a medicamentos incorporados ao SUS, como o implante contraceptivo Implanon. Na área produtiva, estão previstas compras públicas de equipamentos como aceleradores lineares, tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética.








