RIO DE JANEIRO — O governo avalia restringir os cassinos on-line, como o jogo do tigrinho, enquanto mantém as apostas esportivas. A possibilidade foi discutida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros em reunião no Palácio da Alvorada, na manhã de 23.set.2026.
O encontro durou quase 3 horas e teve a participação de Dario Durigan, da Fazenda; Bruno Moretti, do Planejamento; Miriam Belchior, da Casa Civil; Wellington César, da Justiça; e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Lula ainda não definiu qual medida será adotada.
À noite, durante um ato de campanha com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que pretende acabar com as bets no Brasil. Ele disse que os clubes de futebol precisarão encontrar outras formas de financiamento e defendeu a transformação das equipes em empresas por meio da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
“Sinceramente, em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira, a gente vai acabar com isso”, declarou o presidente. Lula também afirmou que as empresas do setor usam recursos de famílias de baixa renda e pediu que dirigentes de clubes reflitam sobre a dependência das apostas.
Para contestar a necessidade desse financiamento, o presidente mencionou títulos conquistados por Santos, Flamengo, Corinthians, Internacional, São Paulo e pela seleção brasileira em períodos anteriores à existência das bets. Segundo Lula, o futebol era melhor naquele período.
A campanha do presidente exibiu o slogan “Flávio é bet, Lula é o caminho”, em referência ao senador Flávio Bolsonaro. Na mesma data, Flávio afirmou ser contra os cassinos on-line, mas defendeu a continuidade das apostas esportivas. Ele disse que modalidades como futebol, vôlei e tênis podem ter controle por tecnologia.
O governo quer endurecer as regras para os jogos de azar on-line antes de 4 de outubro. Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento indicam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas em 2025, enquanto as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.








