O escritório de Enrique Lewandowski confirmou que manteve um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master de agosto de 2023 até agosto de 2025. A banca afirmou que os serviços foram encerrados nesse período e que, a partir de 2024, a atuação se concentrou em assuntos fiscais e tributários.
A informação consta de uma nota divulgada pelo escritório após mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. Nos diálogos, o então dono do Banco Master orientou Luiz Rennó, diretor jurídico da instituição, a retomar o contato com Enrique e encaminhar uma demanda ou parecer.
Vorcaro afirmou que havia um contrato vigente e pediu que Rennó procurasse o advogado pessoalmente no banco. A orientação incluía que o diretor se apresentasse como o novo responsável pelo departamento, pedisse desculpas pela falta de contato e desse continuidade à relação profissional.
As conversas ocorreram em dezembro de 2024. Rennó respondeu que faria o contato e, depois, informou a Vorcaro que o assunto estava resolvido e que prosseguiria com a comunicação.
“Temos um contrato. Tem que chamar ele urgente. No banco”, escreveu Vorcaro. Em seguida, Rennó afirmou: “Aqui dominado! Quase bebemos cerveja aqui no banco! Vou dar sequência”.
Mudança na banca
Ricardo Lewandowski deixou o escritório em 17 de janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça. A banca passou a ser conduzida por sua mulher, Yara de Abreu Lewandowski, e por Enrique.
O ex-ministro também havia prestado serviços de advocacia ao Banco Master antes de assumir o cargo no governo Luiz Inácio Lula da Silva, em fevereiro de 2024. Em nota, afirmou que se retirou do escritório e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao ser convidado para o ministério, deixando de atuar em todos os casos.
O escritório declarou que Enrique tratava diretamente com o corpo jurídico do banco sobre questões fiscais e tributárias. Ricardo Lewandowski não se manifestou sobre as mensagens relacionadas à banca.
Vorcaro também tinha contratos com escritórios ligados a pessoas próximas a ministros do STF. Um deles, no valor de R$ 131 milhões, previa a defesa de interesses do Banco Master “onde for necessário” e quando solicitado. O empresário considerava esse contrato o mais importante e admitia que ele fosse pago até mesmo sem nota.








