O engenheiro de software Lucas Matheus afirmou que não recebeu intimação nem aviso prévio sobre a decisão judicial que tirou o MasterWhats do ar. Ele disse que descobriu a medida ao procurar a Hostinger, empresa responsável pela hospedagem do site.
Matheus mantém o domínio atual da plataforma, criada originalmente pelo desenvolvedor Rafael Bressan. O site reunia mais de 65.000 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em conversas com autoridades, funcionários e Martha Graeff, ex-namorada do empresário.
Entre os nomes associados às mensagens estavam Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações. A ferramenta foi desenvolvida para facilitar a consulta a documentos de inquéritos oficiais da Polícia Federal divulgados na imprensa.
O domínio passou a exibir o status “nicbr inactive court order”, indicação de que está inativo por ordem judicial. A página saiu do ar nesta 2ª feira (21.set.2026).
Histórico da plataforma
O projeto começou com o nome MasterZap, em março de 2026, sob responsabilidade de Bressan. Depois de ser retirado do ar pela 1ª vez em 3 de setembro de 2026 por causa do volume de acessos, voltou em outro domínio, adotou o nome MasterWhats e passou a ser administrado por Matheus.
Segundo o desenvolvedor, o MasterZap registrou 1 milhão de acessos, enquanto o MasterWhats chegou a 1,5 milhão em 15 dias. A página também alcançou 62.000 visualizações nos primeiros dias de setembro. A manutenção era feita com recursos do próprio criador e sem financiamento externo.
Os usuários podiam buscar termos, compartilhar links para partes específicas das conversas e fazer capturas de tela. O sistema também permitia localizar chamadas de voz e vídeo mencionadas no inquérito e abrir o trecho correspondente.
Matheus afirmou que tenta resolver a situação internamente e que, a princípio, não pretende recorrer a advogados. Ele disse não saber de onde partiu o processo e avaliou que o caso pode ter motivação política.
Em uma publicação no X, o engenheiro declarou que a ferramenta usava apenas dados públicos: “Zero e-mail. Zero intimação. Zero contraditório”. A Hostinger foi questionada por e-mail sobre a ordem e os próximos encaminhamentos, mas não respondeu até a publicação.







