Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com mais de 99,99% das urnas apuradas, o senador registrou 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente teve 45,16%. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Após a confirmação do resultado, Flávio disse estar feliz com o apoio recebido e afirmou que o resultado mostra o desejo de mudança no país. O candidato também declarou que sua votação não ocorreu por uma margem pequena e associou o desempenho ao encerramento do período de liderança do PT.
Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar, com 2,89%, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,24%; Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%; e Romeu Zema (Novo), com 0,27%. Os demais candidatos somaram menos de 1% dos votos válidos.
A campanha de Flávio agora buscará atrair eleitores que votaram em candidaturas de direita, centro-direita e terceira via. O candidato pretende buscar apoio de Zema e Caiado. Lula terá de ampliar sua coalizão e mobilizar eleitores que não escolheram sua candidatura no primeiro turno.
Pesquisa Datafolha feita entre 8 e 10 de setembro apontou rejeição de 46% tanto a Flávio quanto a Lula. Renan Santos tinha 17%, Romeu Zema, 16%, Ronaldo Caiado, 14%, e Augusto Cury, 10%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios. A margem de erro foi de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Apoios e cenário político
O resultado colocou Flávio como principal representante eleitoral do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Sem Jair Bolsonaro na disputa, Flávio transformou o apoio à família em uma candidatura nacionalmente competitiva.
Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) foi derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno. Flávio conta também com o apoio do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Em Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos) venceu a disputa pelo governo estadual no primeiro turno. Patrus Ananias, candidato do partido de Lula, ficou em segundo lugar, com cerca de 26%.
Lula reconheceu que o resultado foi inesperado e afirmou que o segundo turno será decisivo. O presidente disse que tentará convencer mais de 33,3 milhões de brasileiros que não foram às urnas, número equivalente a 21,07% do eleitorado, de que seu projeto de país é melhor.
“O jogo vai começar. Estamos na prorrogação”, afirmou Lula. Ele também defendeu a continuidade de um projeto voltado ao desenvolvimento tecnológico e científico, à exploração de terras raras e minerais críticos e ao crescimento da indústria.
A campanha foi marcada por disputas envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso integra uma investigação que também alcança Flávio e envolve suspeitas sobre transações financeiras e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades.
As críticas a Moraes foram incorporadas ao discurso de Flávio, que pediu a saída do ministro durante ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista. O senador também participou de poucos debates, assim como Lula. O debate da TV Globo previsto para 1º foi cancelado antes da transmissão, e Lula desistiu de participar do encontro para conceder entrevista ao Flow Podcast.








