SERRA DO ARACÁ (AM) — Um pequeno lagarto adaptado ao arenito das áreas abertas da Serra do Aracá pode representar uma nova espécie para a ciência. O animal foi capturado durante a primeira fase de uma expedição que reúne 16 cientistas no topo de um platô isolado do extremo norte do Amazonas.
O grupo de herpetologia registrou de 8 a 9 espécies de anfíbios e de 4 a 5 espécies de lagartos. As buscas ocorrem à noite, quando sapos, rãs e pererecas usam a umidade e as temperaturas amenas para cantar e disputar território nos riachos.
Coletas em diferentes horários
A equipe também encontrou um roedor que pode pertencer ao gênero Zygodontomys, típico de áreas abertas e de campinarana. A captura ocorreu no segundo dia da expedição, em uma armadilha para pequenos mamíferos. O grupo ainda coletou 3 indivíduos do beija-flor Colibri delphinae, que não havia sido registrado em expedições anteriores à Serra do Imeri e ao Pico da Neblina.
Entre as aves, os pesquisadores observaram um casal de araras-vermelhas. A quantidade de aves nas matas de encosta, porém, foi considerada baixa por Igor Alvarenga, pesquisador associado do MZ-USP. Os ornitólogos iniciam o trabalho por volta de 4h da manhã, com redes de neblina, binóculos e gravadores de som.
As equipes de botânica fazem as buscas durante o dia. Nos 5 primeiros dias, coletaram mais de 100 espécimes e identificaram populações de canela-de-ema, plantas do gênero Vellozia, e orquídeas terrestres do gênero Catasetum. As amostras são prensadas, organizadas e preservadas para análise posterior.
Pesquisa no topo do tepui
O campo-base está a 1.260 metros de altitude, no topo de um tepui, montanha de topo plano comum na região norte da Amazônia, a 220 km ao norte de Barcelos. A expedição coleta espécies da fauna e da flora, além de amostras de água, solo e sangue.
O objetivo é conhecer os ecossistemas de altitude, que abrigam espécies diferentes das encontradas nas áreas mais baixas da planície amazônica. O trabalho inclui especialistas em répteis, anfíbios, mamíferos, aves, insetos, plantas e parasitas.
A pesquisa é financiada pela FAPESP e conta com o apoio do Exército Brasileiro, responsável pela logística e pela segurança. Participam cientistas da USP, do Inpa, do Ifam, da UFSCar, da Universidade de Toulouse, da Universidade Autônoma de Madri, do Jardim Botânico do Missouri e do Museu de História Natural de Oslo.
No caso dos anfíbios, os pesquisadores gravam o canto e observam o indivíduo que o emite para associar corretamente o som à espécie. Esse exemplar é chamado de “voucher”. O procedimento é necessário porque a frequência do canto varia conforme a temperatura e o tamanho do corpo.







