Cientistas de instituições brasileiras e estrangeiras, incluindo a PUCRS, descreveram formalmente o Leopardus tilcayo, uma nova espécie de felino encontrada na Bolívia. O estudo foi publicado em 17 de setembro de 2026 na revista Current Biology e representa a primeira descrição de um felino vivo em mais de um século.
A investigação começou em 2016, quando um filhote foi resgatado em Nor Yungas e recebeu o apelido de Tigrino. O animal era considerado inicialmente um gato-do-mato comum, mas análises de DNA mostraram que sua linhagem era evolutivamente distinta das já conhecidas. O filhote serviu como referência para a descrição da espécie.
O nome tilcayo foi escolhido em homenagem às comunidades locais, que já usavam esse termo para identificar o felino. O animal tem cerca de 45 centímetros de corpo, cauda longa e pelagem manchada em tons de marrom e preto.
Diferenças genéticas
O tilcayo é classificado como uma espécie críptica, porque sua aparência se aproxima muito da de outros gatos selvagens do grupo dos gatos-tigre. As distinções estão principalmente nas proporções corporais e em detalhes da pelagem. Para separar as linhagens, os pesquisadores analisaram o DNA de 38 indivíduos com tecnologia genômica.
O estudo concluiu que o grupo antes reunido sob o nome Leopardus tigrinus inclui cinco linhagens: L. guttulus, L. tigrinus, L. emiliae, L. pardinoides e L. tilcayo. A linhagem do felino boliviano teria se separado das demais há cerca de 1,5 milhão de anos.
A análise também encontrou sinais de hibridização antiga, com DNA materno associado a um ancestral do gato-do-mato-grande. O relevo isolado dos Andes e as mudanças climáticas da Era do Gelo contribuíram para a formação desses ambientes.
A identificação da espécie permite planejar medidas específicas de conservação. Os felinos da região enfrentam caça, perda de habitat e doenças transmitidas por animais domésticos. A separação das linhagens também mostrou que algumas têm baixa diversidade genética e precisam de atenção urgente.







