SÃO PAULO — O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) foi detido na tarde de 18.set.2026, depois de se apresentar à polícia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele foi levado à Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes).
A Justiça havia expedido um mandado de prisão, mas Leite não tinha sido localizado. Ele chegou a ser tratado pelas autoridades como foragido, negou que estivesse fugindo e havia afirmado que se entregaria em 24 horas.
Em declaração de 17.set, Milton Leite negou qualquer relação com o PCC e disse desconhecer integrantes da facção. Também afirmou que não cometeu irregularidades na relação com empresas de ônibus. “Minha relação com as empresas de ônibus são uma relação institucional”, declarou.
Na manhã de 18.set.2026, a polícia fez buscas em um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, onde suspeitava que o ex-vereador pudesse estar. Ele não foi encontrado. Outra pessoa estava no endereço e não soube explicar a origem do dinheiro e dos documentos apreendidos. Foram encontrados R$ 280 mil e US$ 89 mil, valor equivalente a cerca de R$ 457 mil.
Investigação
A prisão está ligada à Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo). A investigação apura suspeitas de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte público da capital paulista, além de lavagem de dinheiro, corrupção e movimentação de recursos por empresas de ônibus.
Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou indiretamente pela facção. A afirmação ainda será analisada pela Justiça. A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, em municípios da Grande São Paulo e em cidades do litoral.
A decisão judicial cita Milton Leite como alguém que teria participação na operação de empresas investigadas. Policiais militares o apontaram como “dono de fato” da Transwolff, empresa investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A Transwolff nega que ele tenha participação societária ou atuação na gestão. Leite também nega ser proprietário da empresa e qualquer relação com o PCC.
Milton Leite presidiu a Câmara Municipal de São Paulo e atuou por 27 anos no Legislativo municipal antes de deixar o mandato.








