SÃO PAULO — Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em diferentes cenários de segundo turno e levaram o PT a discutir mudanças na campanha presidencial.
Na pesquisa Gerp, Flávio aparece com 47% contra 40% de Lula. No levantamento PoderData/Aya, o placar é de 47% a 45%, dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. Já a pesquisa BTG/Nexus registra 46% para Flávio e 45% para Lula, também dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.
Os resultados mudaram o ambiente na campanha do candidato do PL. Em um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, aliados passaram a tratar a disputa como mais favorável. Em grupos ligados à campanha, alguns chegaram a cogitar uma vitória no primeiro turno. Flávio também passou a mencionar essa possibilidade com mais frequência. Em uma live, declarou: “Em nome de Jesus, vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”.
A campanha também incorporou ao discurso temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. O slogan do ato mudou de “É agora ou nunca” para “Fora Lula e fora Moraes”.
Desempenho nos estados
Nas simulações da Quaest, Flávio aparece à frente de Lula em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores eleitorados do país. Em São Paulo, o candidato do PL tem 41% contra 33% do petista. No Rio de Janeiro, marca 43% contra 37%. Em Minas Gerais, registra 40% contra 37%, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de três pontos percentuais.
A pesquisa também aponta vantagem de Flávio no Distrito Federal: 45% contra 38% de Lula. Outros 13% declararam voto branco, nulo ou intenção de não comparecer, enquanto 4% permanecem indecisos.
Em Minas Gerais, o resultado representa mudança em relação às rodadas anteriores. Lula chegou a registrar 42%, 38%, 39% e 38% antes de aparecer com 37%. Em agosto de 2025, tinha nove pontos percentuais de vantagem sobre Flávio.
A presidente do diretório estadual do PT, deputada estadual Leninha, defendeu que Lula retorne ao estado pelo menos mais duas vezes e que a campanha esteja presente em todas as regiões. “Vamos marcar presenças em todos os municípios mineiros”, afirmou.
PT avalia reação
A Executiva Nacional do PT se reuniu para discutir os rumos da campanha. O encontro foi convocado pelo presidente da legenda, Edinho Silva, em meio à preocupação com a aproximação de Flávio e a cobranças sobre a condução da eleição.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu mais enfrentamento. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, também apoiou a intensificação da campanha, mas disse que o confronto político não deve se transformar em agressão.
O partido marcou uma reunião com centrais sindicais e movimentos sociais em São Paulo. Para o analista político Beto Vasques, são decisivos os eleitores que se abstêm ou votam branco e nulo, os que migram de candidatos menores e aqueles que oscilam entre Lula e Flávio.
As pesquisas Gerp, PoderData/Aya e BTG/Nexus foram realizadas entre 3 e 9 de setembro de 2026. Os levantamentos estaduais da Quaest foram feitos entre 4 e 7 de setembro de 2026.








