A bancada do PSOL na Câmara pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) o aprofundamento das investigações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Robson Calixto, conhecido como Peixe. Calixto é apontado como homem de confiança de Domingos Brazão e foi condenado no processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco.
O pedido do PSOL também solicita que o senador seja ouvido para esclarecer se sabia das conversas entre sua assessora, Maria de Fátima Bezerra Castro, e Calixto, além de eventual participação na escolha e na liberação de recursos. A bancada quer informações sobre a indicação das entidades beneficiadas, autorizações do gabinete e conhecimento sobre a aplicação e a prestação de contas das verbas.
A iniciativa tem como foco uma emenda de R$ 199 mil destinada, em novembro de 2023, ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). A entidade é investigada na Operação Emendatio. Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam tratativas entre Calixto e a assessora sobre a liberação do dinheiro, que foi transferido ao instituto em 29 de novembro de 2023.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) em todas as emendas destinadas por Flávio Bolsonaro a entidades do terceiro setor no Rio de Janeiro desde 2019. Ele também solicitou documentos sobre o repasse e a análise de medidas para suspender novas parcerias e transferências ao Ifop e a outras entidades investigadas até o fim das auditorias.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), incorporada ao inquérito da PF, apontou pagamentos do Ifop a um escritório de advocacia pertencente aos próprios dirigentes da entidade. Investigadores tratam o registro como possível indício de desvio de finalidade dos recursos públicos.
Flávio Bolsonaro não é alvo dos mandados da operação. O senador afirma que as emendas seguiram a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte e que a execução cabe às entidades beneficiárias. Para ele, eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.








