A comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva é alvo de críticas dentro do PT, com dirigentes e congressistas apontando falta de direcionamento, dificuldade para compartilhar dados de pesquisas e uso considerado ultrapassado das redes sociais. O termo “analógico” tem sido usado com frequência para descrever o funcionamento do setor.
O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, defendeu uma mudança imediata no foco da campanha. “Já passou da hora da campanha do presidente Lula parar de falar de ideologia e começar a falar sobre tudo de bom que nosso presidente já fez e continua fazendo pelo povo brasileiro”, declarou nas redes sociais na 2ª feira (14.set.2026).
Quaquá, que coordena a campanha de Lula no Rio de Janeiro, disse que temas como salário, emprego, comida, saúde, educação e dignidade precisam ocupar o centro da comunicação. Há, dentro do partido, a avaliação de que a esquerda está atrás da direita nas redes sociais e é “primária” em alguns usos dos meios digitais.
Pressão sobre Sidônio
As reclamações atingem o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, que continua no cargo e preserva influência na campanha presidencial. Rui Costa, ex-governador da Bahia e candidato ao Senado, está insatisfeito com a condução da comunicação e associa essa avaliação ao trabalho de Sidônio. Alas do PT paulista, principalmente entre petistas históricos, também demonstram insatisfação.
A pressão aumentou após duas pesquisas mostrarem Flávio Bolsonaro à frente de Lula em simulações de 2º turno. A Quaest, divulgada na 2ª feira (14.set.2026), apontou 42% para o candidato do PL e 40% para Lula. A PoderData/Aya, divulgada na 5ª feira (10.set.2026), havia registrado 47% para Flávio e 45% para o petista.
Disputa por atenção na comunicação
Parte das críticas decorre da percepção de que Sidônio dedica atenção excessiva a outras campanhas, como a de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e candidato ao governo estadual. Mariah Queiroz deixou, no fim de agosto de 2026, a Secretaria de Estratégia e Redes Sociais da Secom, onde estava desde janeiro de 2025, para retornar à comunicação de João.
Mariah havia sido levada ao governo pelo trabalho realizado quando Campos era prefeito da capital pernambucana. Ela substituiu Brunna Rosa Alfaia, aliada da primeira-dama Janja Lula da Silva. A escolha ocorreu em meio à busca por melhorar a imagem do governo e renovar a atuação nas redes sociais.
A chegada de Mariah coincidiu com a entrada de Sidônio no ministério, em janeiro de 2025. Ele substituiu Paulo Pimenta, demitido depois de críticas de governistas e do próprio Lula à política de comunicação então vigente. Sidônio queria que Mariah administrasse as redes de Lula na campanha, mas o presidente deixou a função com Ricardo Stuckert, seu fotojornalista de confiança.
Rabelo, ex-diretor de criação e depois sócio da Leiaute, ganhou a confiança de Sidônio e foi indicado para comandar a campanha lulista diante da dúvida sobre a permanência do ministro no governo neste ano. Ele também prospectou a casa no Lago Sul usada pelo núcleo de comunicação, onde Lula grava o programa eleitoral.








