SAN FRANCISCO E WASHINGTON — A Reflection AI apresentou seu primeiro modelo de inteligência artificial de pesos abertos, chamado Beam, e afirmou que ele está no mesmo nível do GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.ai. Os parâmetros do sistema podem ser baixados, personalizados e executados pelos usuários em seus próprios equipamentos.
A startup disse que o Beam supera concorrentes americanos em tarefas de programação e de agentes, com custo menor por token. Os detalhes técnicos completos sobre o desempenho ainda não foram divulgados. Tokens são unidades de informação processadas por sistemas de inteligência artificial.
A Reflection tem parcerias com o Pentágono e o Departamento de Energia dos EUA. Também fechou acordos para desenvolver modelos para aliados americanos, incluindo a Coreia do Sul, em meio aos esforços do governo Donald Trump para conter a concorrência chinesa.
Investimentos e disputa tecnológica
A empresa levantou mais de US$ 4 bilhões (R$ 19,9 bilhões) desde seu lançamento, em 2024, e buscou alcançar uma avaliação de US$ 25 bilhões (R$ 124,3 bilhões) antes de lançar o Beam. A Nvidia investiu US$ 800 milhões (R$ 3,98 bilhões) na startup e forneceu acesso a seus chips.
A Reflection também recebeu investimentos da Sequoia Capital, da Disruptive e da 1789 Capital, empresa da qual Donald Trump Jr. é sócio. A Nvidia busca apoiar concorrentes de laboratórios como OpenAI e Anthropic.
Modelos de pesos abertos podem ter custo operacional menor que versões avançadas do ChatGPT, da OpenAI, e do Claude, da Anthropic. Em agosto, eles responderam por 56% dos tokens processados pela AI Gateway, da Vercel, ante 7% em dezembro.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu o desenvolvimento de mais modelos americanos desse tipo e mencionou a possibilidade de sanções contra modelos chineses suspeitos de roubar propriedade intelectual. Em audiência no Congresso, ele afirmou: "Não podemos permitir que esses grandes laboratórios tenham captura regulatória, porque isso vai interromper a inovação".
A Nvidia liderou uma carta conjunta do setor que classificou um ecossistema de pesos abertos como essencial para criar oportunidades de inovação e prosperidade. O presidente-executivo da empresa, Jensen Huang, também defendeu que companhias americanas usem modelos chineses desse tipo por causa do custo-benefício.
A Reflection informou que o Beam será lançado em breve com parceiros. Parlamentares republicanos em Washington investigam preocupações de segurança nacional ligadas à dependência crescente de modelos desenvolvidos por entidades sujeitas à jurisdição da República Popular da China.








