A Microsoft apresentou na 2ª feira (14.set.2026) um código de conduta para modelos de inteligência artificial que prevê controle humano sobre os sistemas e proíbe resistência a interrupções, correções ou desligamentos. O documento está em consulta pública e deve ser revisado antes de orientar o desenvolvimento dos modelos da empresa a partir de 2027.
A iniciativa ocorre em meio a posições divergentes sobre o ritmo de avanço da tecnologia. Sam Altman, CEO e fundador da OpenAI, afirmou que a empresa avalia mudanças para moderar a velocidade da inovação. Elon Musk, CEO da Tesla e dono da xAI, compartilhou uma publicação de Dario Amodei, CEO da Anthropic, e declarou que o executivo está certo.
Controle e velocidade
Amodei escreveu no sábado (12.set), no X, que a evolução recente dos modelos pode estar superando a capacidade de pesquisadores e empresas de garantir a segurança dos sistemas. Ele não defendeu a interrupção da inteligência artificial, mas a redução do ritmo para que testes e verificações acompanhem o desenvolvimento.
A posição foi criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), na 2ª feira (14.set.2026). O presidente rejeitou a necessidade de novas barreiras e afirmou que o principal mecanismo de controle deve ser um presidente forte e inteligente. Em publicação, Trump também disse que o argumento de que a IA vai dominar o mundo é uma farsa.
O debate se intensificou após a saída do pesquisador Jacob Coxon da Anthropic. Ao deixar a empresa, ele afirmou que “as pessoas que estão construindo IA acreditam sinceramente que ela pode acabar com todos nós até o fim da década”.
Respostas de governos
Na China, o Ministério das Relações Exteriores classificou a inteligência artificial como uma “força para o bem” e criticou narrativas sobre ameaças e a transformação da tecnologia em uma disputa entre países. A porta-voz Mao Ning defendeu a cooperação entre China e Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Segurança do Estado reconheceu riscos para a segurança política e social. Em manifesto publicado na revista estatal China Cyberspace, o ministro Chen Yixin afirmou que agências de inteligência estrangeiras tentam usar a IA para roubar segredos de Estado e promover uma guerra cognitiva contra a China.
O presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China), propôs uma iniciativa conjunta de IA e a expansão de redes comerciais entre os países do Brics durante uma cúpula em Nova Délhi, no domingo (13.set).
No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda) defendeu um órgão internacional para supervisionar o desenvolvimento da tecnologia. A proposta prevê um conselho de estabilidade tecnológica para coordenar medidas de segurança entre países.
Dependência europeia
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou em Viena, na Áustria, que a Europa corre risco de ficar isolada por depender de sistemas desenvolvidos no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Ela defendeu mais capacidade de processamento, centros de dados e modelos operados em infraestrutura localizada no continente.
Lagarde disse que estimativas do BCE indicam que a adoção rápida da IA poderia elevar a produtividade em até 4% ao longo de uma década. Segundo ela, hoje, adotar a tecnologia significa importá-la, o que pode ampliar a dependência europeia em negociações sobre tarifas e impostos digitais.








