O relatório da Polícia Federal sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, afirma que o fundo norte-americano Havengate ficou inoperante por quase 4 anos antes de receber o primeiro repasse ligado à produção. A conclusão contraria a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro.
Criado em 2020 nos Estados Unidos, o Havengate recebeu a primeira remessa em 13 de fevereiro de 2025. O valor foi de US$ 2.000.000, enviado pela Entre Investimentos, empresa que, segundo as investigações, realizou repasses de Daniel Vorcaro ao fundo. Vorcaro é fundador do Banco Master.
O documento afirma que o fundo continuou juridicamente ativo, mas sem atividade operacional registrada até o recebimento dos recursos. A Polícia Federal também apontou que o Havengate havia sido criado originalmente para fins imobiliários e que não tinha operação imobiliária ativa quando voltou a ser usado para remessas internacionais relacionadas a uma produção cinematográfica.
Flávio Bolsonaro declarou que o fundo havia sido criado exclusivamente para realizar o filme. Também afirmou que escolheu a estrutura porque Paulo Calixto, administrador do Havengate, era advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro e uma pessoa de confiança do irmão. Segundo Flávio, os recursos não beneficiaram Eduardo nos Estados Unidos.
Documentos liberados após a retirada do sigilo, porém, incluem uma manifestação da Procuradoria Geral da República segundo a qual Eduardo Bolsonaro orientou os recursos nos Estados Unidos.
O sigilo das investigações foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na 6ª feira (11.set.2026). O relatório foi divulgado nesse contexto. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram procurados para comentar as conclusões da Polícia Federal, mas não responderam até a publicação.







