O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições gerais para 29 de novembro. O pleito estava previsto para 2027.
A decisão ocorreu depois da derrota, na última sexta-feira (2), de dois decretos sobre habitação apresentados pelo governo. A mobilização social causada pelo despejo, em Madri, de uma mulher de 87 anos também aumentou a pressão sobre o premiê.
Sánchez comunicou a antecipação eleitoral no domingo (4) ao rei Filipe VI. Em pronunciamento no Palácio da Moncloa, sede da presidência espanhola, ele defendeu a atuação de seu governo e afirmou que os eleitores deverão escolher entre uma Espanha alinhada ao que chamou de “onda de extrema-direita” e a continuidade do país como “um bastião de abertura, de justiça social e de responsabilidade ambiental”.
Desgaste político
O governo enfrenta meses de desgaste relacionados à crise migratória no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, e a denúncias de corrupção envolvendo integrantes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), membros do governo e familiares de Sánchez, incluindo sua esposa, Begoña Gómez.
O premiê disse que sua gestão adotou “medidas corajosas” para reforçar o Estado de bem-estar social. Também afirmou que não sacrificou esse modelo para elevar os gastos militares a 5% do PIB, como exigem os Estados Unidos e a Otan. Sánchez mencionou ainda a construção de “um mundo melhor” diante do que chamou de “tiranos”, “tecnooligarcas” e “genocidas”.
O conservador Partido Popular (PP) lidera as pesquisas e pode formar uma coalizão com o Vox, partido de direita nacionalista que aparece em terceiro lugar nos levantamentos, atrás do PSOE.
Sánchez está no cargo desde 2018. Em 2023, ele já havia antecipado em alguns meses uma eleição depois de o PSOE perder disputas regionais importantes. O PP venceu a votação nacional, mas não conseguiu formar governo. Sánchez permaneceu no poder com o apoio de partidos regionalistas e separatistas, entre eles o catalão Junts. A retirada desse apoio em votações decisivas foi determinante para a nova antecipação eleitoral.








