O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, encerrou o mandato do Parlamento nessa quarta-feira (9/9) e marcou eleições parlamentares para 25 de outubro de 2026. A votação ocorreria originalmente apenas em 2027.
Vucic afirmou que a decisão responde ao agravamento das tensões políticas no país. Em pronunciamento transmitido pela televisão, disse que manter o calendário anterior poderia colocar em risco a democracia sérvia.
A convocação ocorre após quase dois anos de protestos organizados por estudantes e grupos da sociedade civil. As manifestações começaram depois que a cobertura de uma estação ferroviária desabou em Novi Sad, em novembro de 2024. O acidente matou 16 pessoas.
Os participantes dos atos atribuem ao governo responsabilidade por corrupção, negligência e falta de transparência no caso. Com o tempo, as mobilizações passaram a incluir pedidos por mudanças políticas, responsabilização de autoridades e realização de novas eleições.
Disputa pelo governo
Vucic ocupa posição central na política sérvia desde 2014, quando se tornou primeiro-ministro. Em 2017, foi eleito presidente. Como não pode buscar outro mandato presidencial, o Partido Progressista Sérvio, que integra o governo, o escolheu para concorrer ao cargo de primeiro-ministro.
Se a legenda preservar a maioria e conseguir formar o governo, Vucic poderá deixar a Presidência e assumir o comando do Executivo. A data de uma possível renúncia presidencial ainda não foi definida.
O partido continua entre as principais forças políticas do país, mas enfrenta movimentos oposicionistas ligados aos protestos estudantis. Até o anúncio da eleição, esse grupo não havia informado se apresentaria candidato próprio ou apoiaria uma aliança.
Analistas avaliam que a antecipação pode ajudar Vucic a recuperar autoridade e legitimidade diante da pressão popular. Críticos também acusam o governo de limitar a liberdade de imprensa, enfraquecer instituições democráticas e manter vínculos com grupos associados ao crime organizado. Vucic e aliados rejeitam essas acusações.
O resultado pode afetar ainda a relação da Sérvia com a União Europeia. A entrada do país no bloco está paralisada, em meio a críticas sobre retrocessos democráticos e à postura de Belgrado em relação à Rússia e à China.








