O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta 3ª feira (22.set.2026) o discurso de abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU com a defesa da soberania nacional como um dos principais temas. A fala também deverá condenar tentativas de interferência externa em assuntos brasileiros, em meio à campanha pela reeleição.
A estratégia foi formulada por Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social, após o conflito com os Estados Unidos provocado pelo tarifaço de 2025. O governo passou a associar a defesa da soberania às medidas adotadas contra as tarifas e à proteção das eleições brasileiras.
O discurso não cita Donald Trump nem o Escudo das Américas, iniciativa de segurança dos EUA na região. Lula deverá abordar democracia, cooperação internacional contra o crime organizado e críticas a ações militares e pressões de grandes potências em Gaza, Ucrânia, Irã, Iraque e Líbia. Também deve mencionar sanções e bloqueios contra Venezuela e Cuba e a dependência de países que concentram minerais críticos e terras raras.
Relação com Trump e disputa eleitoral
Trump é o principal alvo indireto da mensagem. O governo brasileiro demonstra preocupação com uma possível atuação americana a favor de Flávio Bolsonaro, candidato da oposição. Os presidentes tiveram 7 contatos desde setembro de 2025. O mais recente ocorreu em 21 de julho, e não há reunião bilateral prevista em Nova York.
Pesquisas citadas no texto mostram disputa apertada. Levantamento PoderData/Aya de 17 de setembro apontou Flávio com 46% e Lula com 44% em um eventual 2º turno. Pesquisa BTG/Nexus divulgada na 2ª feira (21.set) mostrou Lula com 46% e Flávio com 45% nesse cenário. No 1º turno, os números foram 40% para Lula e 37% para Flávio.
O tema já apareceu em falas anteriores do presidente. Em 2025, Lula declarou: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. Em abril de 2026, após críticas americanas ao Pix, Sidônio orientou o presidente a defender que “o Pix é nosso”.
Na campanha, o assunto foi levado à propaganda eleitoral. O 5º programa de Lula na televisão, exibido em 7 de setembro, tratou do tarifaço, dos minerais críticos e da defesa. O título do programa foi “O Brasil não se entrega”.
Lula também assinou, no domingo (20.set), um manifesto pelo multilateralismo com António Costa, Mark Carney e William Ruto. Brasil, Canadá, União Europeia e Quênia defenderam a renovação da cooperação internacional e reformas na ONU e em outras instituições multilaterais.
A comitiva presidencial inclui Mauro Vieira, Esther Dweck, Eloy Terena, Rachel Barros e Wellington Dias. A primeira-dama Janja acompanha a viagem. Lula se reuniu na 2ª feira (21.set) com Zohran Mamdani e Yamandú Orsi. Depois do discurso, terá encontro com António Guterres e voltará ao Brasil ainda nesta 3ª feira.








