NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou no domingo (20/9) para os Estados Unidos, onde participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na abertura do encontro, prevista para terça-feira (22/9), ele deve defender o multilateralismo, a democracia e a soberania brasileira.
Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar, conforme a tradição, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião ocorre na 81ª edição do encontro, cujo tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
O discurso deve abordar conflitos globais e desafios relacionados ao meio ambiente, às mudanças climáticas, aos direitos humanos e ao comércio. A reforma do Conselho de Segurança também está em discussão, em meio ao acirramento de conflitos ao redor do mundo. O órgão deverá escolher um novo secretário-geral para suceder António Guterres, que ocupa o cargo há 10 anos.
Em reunião com pastores evangélicos no Palácio do Planalto, na quarta-feira (16/9), Lula disse que cobrará do Conselho de Segurança uma solução para conflitos como a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio. “Foi criado para fazer paz, para fazer harmonia, e não para fazer guerra”, afirmou.
A previsão é que o discurso dure cerca de 20 minutos, contra 18 minutos no ano passado. A passagem por Nova York deve ser curta, e o retorno ao Brasil está previsto para terça-feira (22/9), por volta do meio-dia. A viagem foi planejada dessa forma por causa do período eleitoral e de atos de campanha programados para os dias seguintes.
Soberania e eleições
Lula também deve defender a soberania, a democracia e a integridade do processo eleitoral brasileiro diante de ameaças de interferência estrangeira. O governo de Donald Trump apresentou a negociadores brasileiros um documento que pedia que “dissidentes políticos” do Brasil não fossem presos, detidos ou impedidos de participar do pleito. A proposta foi rejeitada durante as conversas sobre o tarifaço.
A Casa Branca também divulgou um documento que acusa o Brasil de não combater as facções criminosas PCC e Comando Vermelho. O governo brasileiro considerou a medida uma tentativa de politizar o debate sobre o crime organizado.
A expectativa é que Lula trate do tema sem mencionar diretamente os Estados Unidos ou qualquer chefe de Estado. A crise no Supremo Tribunal Federal não deve ser abordada. Já o crime organizado pode entrar na pauta por ser considerado um tema que ultrapassa fronteiras.
O governo brasileiro descarta, por enquanto, uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Um contato informal não está descartado. O presidente brasileiro também deve se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.








