NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e criticou ameaças de ingerência externa em processos eleitorais durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22/9), em Nova York.
Sem citar os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. O presidente também disse que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países da América Latina e do Caribe.
A 12 dias da eleição brasileira, Lula declarou que o sistema eleitoral do país é moderno e robusto. Segundo ele, no primeiro turno, marcado para o próximo 4 de outubro, os eleitores escolherão entre “democracia e negacionismo”. O presidente rejeitou tentativas de interferência no pleito e afirmou que a vontade popular será preservada.
Guerras e reforma da ONU
Ao longo de cerca de 22 minutos, Lula criticou a incapacidade da ONU de resolver conflitos em andamento, mencionando a guerra na Ucrânia e a situação na Faixa de Gaza. Ele acusou o governo israelense de promover um “genocídio” contra palestinos e citou diretamente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O presidente defendeu a diplomacia como saída para os conflitos e mencionou o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China. Também citou crises na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.
Lula criticou a “paralisia” do Conselho de Segurança da ONU e defendeu uma reforma no órgão. Criado em 1945, o conselho tem cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — e outros 10 países com mandatos rotativos de dois anos.
Temas internos e reuniões
No discurso, o presidente mencionou ações contra o crime organizado, defendeu o fim da escala 6×1 e falou sobre o combate à violência contra a mulher. Também abordou a exploração de minerais críticos, o Pix e a regulação das big techs e da inteligência artificial.
Antes da abertura do encontro, Lula se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders. Nesta terça, encontrou-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Após Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na ONU. Também participam do encontro o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.








