O plenário do Supremo Tribunal Federal começou nesta 3ª feira (15.set.2026) a analisar se a Polícia Federal poderá prosseguir com uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que os ministros devem respeitar as regras processuais antes de examinar o mérito. Ele também declarou que o Supremo atravessa um “período difícil de sua história”.
“Não se julgam pessoas, julgam-se fatos e questões jurídicas”, disse Fachin. O ministro acrescentou que o mérito não deve ser antecipado antes da definição sobre a validade processual.
O que está em análise
O caso foi levado ao plenário pelo relator das investigações, André Mendonça, antes de qualquer autorização para o avanço das apurações. Os ministros precisam decidir se a Polícia Federal poderá continuar o procedimento.
Um relatório tornado público em 1º de setembro aponta uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do ministro nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.
O relatório também indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Questionamentos sobre o procedimento
Em manifestação em 1º de setembro, a Procuradoria Geral da República afirmou que o procedimento da Polícia Federal era inválido por duas razões. A primeira é que Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria PF. A segunda é que uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal.
Moraes pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridades e improbidade administrativa em razão da atuação no inquérito. O procedimento começou no inquérito das fake news, mas Fachin assumiu a relatoria.
A validade de um relatório interno de inteligência da PF contra Mendonça também está em disputa. O documento, sem valor probatório, indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes.
Fachin marcou para 23 de setembro o julgamento separado desse caso. Até lá, Andrei Rodrigues permanece na chefia da PF por decisão do presidente do STF.








