SÃO PAULO — Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) mantêm uma postura cautelosa diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois candidatos ao governo de São Paulo apoiam o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e cobram transparência nas apurações, mas evitam escolher um lado ou atacar ministros publicamente.
A crise envolve o racha no plenário do STF sobre as investigações do caso Master e a relação do banqueiro preso Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e outros ministros. Até o final da manhã desta quarta-feira (16), nenhum dos candidatos havia comentado a sessão realizada no plenário do Supremo um dia antes.
Posições dos candidatos
Tarcísio não publicou, nos últimos dias, mensagens sobre a crise do STF em seu perfil no Instagram. O governador, que busca a reeleição, tem concentrado as publicações em propostas de campanha e respostas a cobranças sobre problemas da população.
Haddad abordou o tema em uma postagem de terça-feira, quando reproduziu um trecho de entrevista coletiva durante uma agenda de campanha na capital. Ele defendeu a divulgação completa das informações sobre investigações que envolvam autoridades, familiares e candidatos.
O petista também havia pedido o fim do sigilo nos inquéritos relacionados ao escândalo do Banco Master no STF. Em uma sabatina na Rádio Pop Aparecida, na sexta-feira (11), afirmou que instituições devem ser corrigidas quando forem identificadas irregularidades.
No domingo, durante um ato de campanha na Avenida Paulista, Haddad elogiou a atuação de Fachin e disse que a quebra do sigilo dos celulares de Daniel Vorcaro poderia permitir ao país “passar o país a limpo”.
Tarcísio também havia elogiado Fachin na semana passada. Na quinta-feira (10), declarou que a decisão do presidente do STF ajudaria a organizar a situação e ampliar a segurança jurídica. O governador defendeu ainda o esclarecimento integral dos fatos relacionados à operação realizada naquele dia, ligada ao filme Dark Horse e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Disputa pelo eleitor de centro
A cautela dos dois candidatos ocorre em uma disputa na qual o eleitor de centro é considerado estratégico. Tarcísio tem chances de vencer no primeiro turno, mas precisa manter o apoio de eleitores mais centristas, além de sua base ligada a Jair Bolsonaro.
Haddad enfrenta a possibilidade de ser derrotado já na primeira rodada e busca eleitores de centro que, conforme as sondagens citadas, estão majoritariamente com Tarcísio. A estratégia é cobrar explicações sobre a crise e manter distância do caso, sem romper com aliados envolvidos nas discussões sobre o STF.
Pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada na segunda-feira (14) aponta Tarcísio com 53% das intenções de voto para o governo de São Paulo, contra 36% de Haddad. Brancos e nulos somaram 5%; 4% não souberam ou não responderam; e 2% declararam voto em outros nomes.
Na rejeição, Haddad aparece com 40% e Tarcísio, com 32%. Em um eventual segundo turno entre os dois, Tarcísio teria 57% das preferências, ante 38% de Haddad. Nessa hipótese, 3% votariam em branco ou nulo e 2% não responderam.
O levantamento ouviu 2.000 pessoas de 9 a 12 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o grau de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-02794/2026. O estudo custou R$ 30.000 e foi pago com recursos próprios.








