O ex-presidente Michel Temer afirmou que conversou por telefone com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre a crise que também envolve o ministro André Mendonça. Temer disse ter aconselhado que Mendonça buscasse diálogo com Moraes, relator do caso Master.
“Não falei com o Mendonça. Falei muito rapidamente com o Alexandre por telefone”, afirmou Temer. A conversa ocorreu antes de Mendonça afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Crise no Supremo
Temer classificou a crise no STF como “muito grave” e defendeu uma solução pelo diálogo, em vez de medidas judiciais. Para o ex-presidente, uma decisão litigiosa do Supremo seria prejudicial ao país.
O conflito envolve decisões sobre conversas do banqueiro Daniel Vorcaro, relatórios de inteligência e a atuação de Mendonça em um inquérito. O presidente do STF, Edson Fachin, retirou a controvérsia envolvendo Mendonça do inquérito das fake news e a levou para uma petição separada, sob sua relatoria.
Em mensagens para o contato identificado como Alexandre de Moraes, Vorcaro mencionou Andrei e Paulo depois de relatar supostas pressões da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para que o Banco Central (BC) agisse. Em depoimento, o banqueiro afirmou acreditar que havia uma pressão dentro da PF para impedi-lo de falar e citou possíveis agressões para evitar um acordo de delação premiada.
Mendonça não tratou dessas conversas em sua decisão mais recente. O ministro questionou relatórios de inteligência usados por Moraes, que apontavam diferenças no tratamento de investigados e possíveis interferências na estrutura administrativa da PF. Mendonça considerou os documentos genéricos e proibiu a PF de produzir, elaborar ou compartilhar relatórios sobre a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da própria polícia judiciária.
Temer também participou da articulação para transformar o projeto de lei da anistia em dosimetria. Na ocasião, o deputado federal Paulinho da Força conversou com Moraes para avaliar o risco de derrubada da proposta.
Em 8 de setembro de 2026, Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada e marcou uma sessão virtual da Segunda Turma. Gilmar Mendes pediu vista; Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam votos favoráveis a Mendonça, formando maioria. Fachin havia aberto prazo para manifestações de Mendonça, Moraes, PF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.








