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Teste acessível pode apontar quem se beneficia de imunoterapia no câncer de pulmão

Estudo apoiado pela FAPESP encontrou uma assinatura de proteínas em linfócitos T associada à resposta ao tratamento.

Teste acessível pode apontar quem se beneficia de imunoterapia no câncer de pulmão

Um exame já usado em laboratórios de análises clínicas para diagnosticar leucemia identificou uma combinação de proteínas associada à resposta de pacientes com câncer de pulmão à imunoterapia. A estratégia foi descrita em artigo publicado em junho na revista iScience e pode ajudar a selecionar quem tem maior probabilidade de se beneficiar do tratamento.

O estudo avaliou amostras de sangue de 33 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) e tumores metastáticos. Entre eles, 22 responderam à combinação de imunoterapia e quimioterapia, enquanto 11 não tiveram resposta. A análise foi feita antes do início da terapia e examinou proteínas presentes na membrana dos linfócitos T, células de defesa do organismo.

Como funciona

O CPCNP representa aproximadamente 85% dos tumores pulmonares e costuma ser identificado em estágios avançados. Nesse tipo de câncer, duas proteínas presentes nos linfócitos T podem contribuir para bloquear a ação do sistema imune. A imunoterapia usa anticorpos para inativá-las e permitir que as células de defesa ataquem o tumor.

Após avaliar dezenas de proteínas, os pesquisadores chegaram a uma assinatura imunológica formada por vários marcadores. Quando analisados em conjunto, eles indicaram quais pacientes tendiam a responder ou não ao tratamento.

A citometria de fluxo, técnica utilizada no estudo, já está disponível em laboratórios de análises clínicas. Kenneth Gollob, líder do Laboratório de Imuno-Oncologia Translacional do Einstein Hospital Israelita e diretor do Centro para Pesquisa em Imuno-Oncologia (CRIO), afirmou que o exame é acessível a unidades que já trabalham com diagnóstico de leucemia.

A imunoterapia tem eficácia de aproximadamente 45% contra o CPCNP. Gollob disse que um biomarcador capaz de indicar uma probabilidade elevada de resposta poderia direcionar os medicamentos aos pacientes com maior chance de benefício. Ele citou um exemplo de 98% de chance de resposta e afirmou que a seleção poderia reduzir custos.

Próximas etapas e limites

Em testes in vitro, a inativação de duas proteínas reativou parcialmente os linfócitos T de pacientes que não respondiam ao tratamento. A equipe planeja novos ensaios clínicos com os biomarcadores, em conversas com empresas farmacêuticas para viabilizar o fornecimento dos medicamentos.

O uso da estratégia também está sendo investigado em outros tumores considerados “quentes”, que apresentam infiltração de células imunes. O CRIO pesquisa biomarcadores em cânceres de próstata, cólon, reto, cervical, endometrial e de ovário, além de melanoma.

A imunoterapia pode causar reações autoimunes porque o bloqueio dos inibidores imunológicos também pode levar o sistema de defesa a atacar células saudáveis. Diarreia e manchas na pele estão entre as consequências mais comuns. Cerca de 15% dos pacientes podem apresentar reações mais graves, incluindo inflamação em tecidos saudáveis, especialmente no pulmão.

O tumor também pode desenvolver resistência. Alguns pacientes respondem inicialmente, mas deixam de reagir com o tempo. Gollob relatou casos com resposta após nove semanas e perda do efeito depois de seis meses. Entre as alternativas estudadas estão combinar diferentes tipos de imunoterapia ou associá-la à quimioterapia ou à radioterapia.

O trabalho reuniu pesquisadores do CRIO, do Einstein, do A.C. Camargo Cancer Center e de outras instituições parceiras. Amanda Figueiredo foi a primeira autora. A FAPESP apoiou o CRIO e financiou o estudo por meio dos projetos 18/06409-1, 19/27139-5 e 18/14933-2.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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