GRÉCIA — Pesquisadores identificaram 232 partículas de microplásticos em amostras retiradas dos pulmões de 100 pessoas examinadas por causa de sintomas respiratórios. O trabalho será apresentado no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, em outubro, na Espanha.
Os participantes foram atendidos em um hospital na Grécia. Após os exames, metade recebeu diagnóstico de câncer de pulmão. Microplásticos foram detectados em pelo menos uma amostra de 70% de todos os pacientes, com presença mais frequente e em maior quantidade no grupo com câncer.
Coleta e distribuição das partículas
As amostras foram obtidas por broncoscopia, procedimento usado para visualizar o interior dos pulmões e retirar material para análise. Alguns participantes também tiveram pequenos fragmentos de tecido pulmonar examinados.
Os tipos mais encontrados foram polipropileno e polietileno, materiais usados em embalagens, tecidos e produtos do dia a dia. A distribuição não foi igual em todos os pulmões: em parte dos casos, a concentração era maior nas vias aéreas; em outros, no tecido pulmonar.
Limites da pesquisa
Os resultados não comprovam que os microplásticos causem câncer. Os pesquisadores ainda não sabem se as partículas podem contribuir para o desenvolvimento da doença ou se pulmões já afetados tendem a retê-las em maior quantidade. O estudo indica, porém, que materiais presentes no ambiente podem ser inalados e se acumular no organismo.
O pesquisador Ilias Dimeas afirmou: “Precisamos entender onde essas partículas se depositam e se podem estar relacionadas a doenças”. A equipe iniciou experimentos sobre a interação de diferentes plásticos com células pulmonares e analisa amostras de pessoas com doenças respiratórias crônicas.








