A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Farmanguinhos Arpraziquantel (arpraziquantel), medicamento destinado ao tratamento da esquistossomose em crianças de 3 meses a 6 anos. A decisão saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 30.
A esquistossomose é considerada um problema de saúde pública no Brasil e integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas, que afetam principalmente populações de baixa renda em regiões tropicais e subtropicais.
O remédio é indicado contra infecções causadas pelos parasitas Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobiu. A transmissão ocorre quando a pessoa nada ou entra em contato com água doce contaminada por caramujos infectados.
Sintomas e transmissão
Na forma aguda, que pode surgir entre duas e seis semanas depois do contato com a água contaminada, a doença pode provocar coceira e vermelhidão na pele, febre, dor de cabeça, tosse e fraqueza. Também pode haver acúmulo de líquido no abdome em razão do aumento do fígado e do baço. Essa manifestação deu origem ao nome popular “barriga d’água”.
A forma crônica aparece meses ou anos após a infecção inicial. As infecções tendem a ocorrer em áreas rurais onde há caracóis de água doce. Crianças têm papel central na transmissão por fatores como maior exposição a águas contaminadas, sistema imunológico em desenvolvimento e o hábito de evacuar perto ou dentro de corpos d’água.
Ação do medicamento
O arpraziquantel é absorvido pelos vermes nos vasos sanguíneos e provoca espasmos musculares e paralisia nos parasitas, interrompendo sua fixação. Conforme a Anvisa, o medicamento também danifica o tegumento, uma barreira de proteção dos vermes contra o sistema imunológico, permitindo que o organismo os destrua.
Antes do novo registro, o Praziquantel, medicamento padrão contra a doença, era indicado apenas para crianças maiores de 4 anos. A aprovação amplia o tratamento pediátrico para a faixa de 3 meses a 6 anos.








