MILÃO — Pessoas com obesidade que trocaram canetas emagrecedoras por comprimidos de semaglutida continuaram perdendo peso, segundo um estudo apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD). A análise registrou uma redução média de quatro quilos em três meses.
O levantamento avaliou 194 pacientes, com peso inicial médio de 100,5 kg, que usavam semaglutida 2,4 mg ou tirzepatida (Mounjaro). Após cinco meses de tratamento com as canetas, eles passaram a utilizar Wegovy em comprimidos de 25 mg.
Resultados após a mudança
Depois da troca, a perda média correspondeu a 4,1% do peso corporal. A proporção de participantes com diagnóstico de obesidade também caiu, de 87,1% para 65,5% após três meses.
“Os pacientes tiveram reduções estatisticamente significantes no peso e no índice de massa corporal (IMC)”, disse Louis Aronne, coautor do estudo e diretor do Comprehensive Weight Control Center na Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos. Segundo ele, três em quatro pessoas ficaram satisfeitas com o tratamento, e 82,4% relataram melhoras significativas.
O estudo OCTANE reuniu dados de experiências reais de pacientes para complementar os resultados de ensaios clínicos controlados sobre a segurança e a eficácia do medicamento. Os participantes estavam inscritos na plataforma americana de telessaúde Ro.
Expansão da versão oral
Medicamentos agonistas do GLP-1 se popularizaram em canetas injetáveis, mas a versão em comprimido busca atender pessoas que não querem receber aplicações semanais ou têm dificuldades para conservar e transportar os produtos.
O Wegovy em comprimidos já está disponível nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes Unidos, no Reino Unido e na Alemanha. O México também deve começar a utilizar o medicamento. A Novo Nordisk informou que a aprovação da semaglutida oral nos Estados Unidos ocorreu em dezembro do ano passado e que, desde janeiro deste ano, mais de cinco milhões de prescrições foram dispensadas no país.
“A nossa escolha de trazer as pílulas para o tratamento é uma tentativa de tornar isso mais fácil, em alguns casos, para as pessoas”, disse Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk.
No Brasil, o pedido de aprovação foi apresentado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano. A expectativa é que a liberação ocorra ainda neste ano.








