Um estudo preliminar com 400 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 associou períodos de controle muito rígido da glicose a dias posteriores de pior qualidade de vida. Os participantes foram acompanhados durante 14 dias, e os resultados serão apresentados no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores alemães. Os períodos observados tinham pouca variação do açúcar no sangue e valores dentro de faixas consideradas seguras. Em sentido contrário, noites melhores de sono e mais energia foram associadas a uma qualidade de vida melhor nos dias seguintes. O trabalho mostra associação, mas não comprova relação de causa e efeito.
Pessoas com diabetes têm quase o dobro de chance de desenvolver depressão, e muitos casos não são identificados durante as consultas. Exames de sangue dentro das faixas esperadas não revelam necessariamente o estado emocional do paciente.
O sofrimento ligado ao diabetes
Uma condição diferente da depressão pode ajudar a explicar parte desse quadro: o diabetes distress, ou sofrimento relacionado ao diabetes. Trata-se do desgaste emocional provocado pelo gerenciamento contínuo da doença, que pode envolver culpa após medições, medo dos alarmes e a responsabilidade de cuidar de si durante 24 horas.
Esse sofrimento não é depressão, embora possa favorecer seu surgimento. Ele atinge cerca de 40% das pessoas com diabetes e pode responder a acolhimento, educação e ajustes nas metas de tratamento, em vez de exigir necessariamente um remédio.
Rastreamento na rotina médica
As diretrizes da Associação Americana de Diabetes (ADA) recomendam o rastreamento periódico de depressão, ansiedade, sofrimento relacionado ao diabetes, medo de hipoglicemia e transtornos alimentares em pessoas com a doença e em seus cuidadores.
Para a depressão, questionários como o PHQ-9 e o PHQ-2 podem ser respondidos em poucos minutos. O sofrimento relacionado ao diabetes pode ser avaliado por escalas como a Diabetes Distress Scale (DDS) e a Problem Areas in Diabetes (PAID).
A ADA recomenda atenção no diagnóstico, ao menos uma vez por ano, quando as metas de tratamento não são alcançadas, diante de complicações e em grandes transições da vida e do cuidado. Pessoas com histórico de depressão, complicações, idade avançada ou dificuldade persistente para lidar com a rotina também devem ser observadas.
Quando a depressão não é identificada, podem diminuir as medições e o uso dos remédios, enquanto a glicose pode sair de controle e as complicações se aproximar. Por isso, o acompanhamento do diabetes deve incluir perguntas sobre tristeza, sono, energia e disposição, além dos dados de glicose.








