A amizade entre Jo e Raissa é colocada à prova quando as duas atravessam um portal para Nakali, ilha mística ligada às histórias da avó de Jo. Sem lembrar o que aconteceu durante a noite em que chegaram ao local e sem a chave de retorno, elas precisam recuperar a memória e encontrar o caminho de volta para o mundo humano.
Uma viagem por criaturas e lendas
A nova animação da DreamWorks combina referências do folclore filipino, da cultura hip hop e dos animes. Sereias, demônios saqueadores de sonhos, tritões e seres metamorfos aparecem em cenários de cores neon e com diferentes estilos de ilustração.
Jo e Raissa se conheceram na escola ainda crianças. Ao longo dos anos, trocaram cartas, gravaram músicas em CDs e usaram pulseiras com pingentes que representavam momentos importantes da amizade. A relação muda quando Raissa anuncia que vai se mudar para os Estados Unidos para fazer faculdade.
As duas têm perfis opostos. Jo é revoltada e explosiva, não tem muitos planos para o futuro, foi abandonada pelo pai e criada pela avó. Raissa é estudiosa e certinha, vem de uma família tradicional e se tornou um refúgio para a amiga.
Durante a jornada por Nakali, elas encontram um demônio com ansiedade de separação da mãe, um tritão vaidoso e um homem-cachorro. Também deslocados, os três se juntam à viagem. Os personagens exploram arquétipos masculinos e mostram como traumas pessoais podem afetar a forma de criar relações.
Memória, afeto e representação
A trama se passa nos anos 1990, antes da popularização do mundo digital. Fotografias eram impressas, e as mensagens eram escritas à mão. Para Joel Crawford, esse período ajuda a recuperar a importância de objetos palpáveis, como câmeras polaroides e CDs.
A estética frenética acompanha a personalidade de Jo e a cultura hip hop filipina. A produção também incorpora trejeitos dos animes e mistura animação tridimensional com traços bidimensionais de estilos variados.
O filme apresenta elementos do cotidiano filipino, como festas de família, quitutes, um retrato de Jesus e o karaokê. Para os diretores Joel Crawford e Januel Mercado, a animação permite explorar culturas além da americana e criar personagens nos quais diferentes públicos possam se reconhecer.
Antes do lançamento, fãs LGBTQIA+ discutiram nas redes sociais se o vínculo entre Jo e Raissa poderia ser interpretado como romântico. As personagens são apresentadas como amigas. Jo usa roupas associadas a meninos, enquanto o tritão é afeminado.
Mercado afirmou entender a identificação da comunidade queer com a produção. Para ele, a história fala sobre pessoas que se sentiram diferentes ou excluídas, além de criar laços e relações que ofereçam segurança para que cada um seja quem é.








