Aos 45 anos, o gerente financeiro Rodrigo Soares fez um teste genético para investigar riscos de saúde e descobriu a existência de irmãos biológicos. Brasileiro que mora no Peru, ele foi entregue ainda bebê e cresceu sabendo que não havia sido criado pela família de origem, mas sem informações detalhadas sobre o passado.
A decisão pelo exame veio em novembro de 2025, depois de um episódio de pressão alta e da dificuldade de responder a perguntas sobre histórico familiar em consultas médicas. O resultado indicou predisposição para câncer de próstata, diabetes tipo 1 e leucemia linfocítica crônica. A partir disso, Soares passou a acompanhar com mais atenção os exames de rotina e a própria saúde.
A plataforma usada no teste também identificava pessoas com DNA semelhante. Soares encontrou correspondências dos lados materno e paterno e decidiu entrar em contato. A primeira resposta veio poucas horas depois, de uma mulher que foi confirmada como sua meia-irmã materna. Em seguida, ela contou que a mãe biológica havia tido um filho ainda jovem e optado pela adoção.
O encontro entre os dois ocorreu em um restaurante. Do lado paterno, a identificação inicial apontava apenas um possível grau de parentesco. Soares e o homem indicado fizeram um exame específico, que confirmou a relação. Depois, ele conheceu outros irmãos e foi acolhido pela família.
Como o exame funciona
Testes genéticos desse tipo analisam centenas de milhares de regiões do DNA para indicar a origem da pessoa, possíveis riscos à saúde e semelhanças com outras amostras. A coleta pode ser feita por saliva, com kits enviados ao consumidor, e os dados são comparados com um banco de amostras.
O médico geneticista Ricardo Di Lazzaro, fundador da Genera, explica que segmentos de DNA idênticos podem indicar algum grau de parentesco. Quanto maior o compartilhamento, mais próximo tende a ser o vínculo. Ainda assim, o exame não tem como objetivo principal confirmar relações familiares, como nos testes de paternidade, e pode não diferenciar com precisão um irmão, um tio ou um primo próximo.
Na avaliação de saúde, o resultado também não fecha diagnóstico. Ele aponta probabilidades que podem variar conforme hábitos e fatores ambientais e deve ser analisado com acompanhamento médico.
Depois do exame, Soares ajustou hábitos, incluindo a alimentação e a rotina de exames. Ele mantém contato com os irmãos e usa as informações obtidas para orientar decisões sobre a própria saúde.








