Uma análise de 51 estudos associou o consumo elevado de alimentos ultraprocessados a riscos maiores de câncer, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, diabetes e morte por qualquer causa. Os pesquisadores destacam que os resultados indicam associações e não provam que esses produtos sejam diretamente responsáveis pelas doenças.
A cada 100 gramas adicionais de ultraprocessados consumidos por dia, o risco associado a câncer foi 4% maior. O aumento foi de 14% para eventos cardiovasculares, 3% para morte por qualquer causa e 2% para síndrome metabólica ou diabetes.
Na comparação entre pessoas com maior e menor consumo, os riscos foram 12% maiores para câncer, 24% para eventos cardiovasculares, 24% para síndrome metabólica ou diabetes e 18% para morte por qualquer causa. A ingestão mais elevada também foi relacionada a doenças digestivas, depressão ou ansiedade, obesidade ou sobrepeso e pressão alta. Nesses casos, os aumentos observados foram, respectivamente, de 31%, 27%, 23% e 11%.
Como a análise foi feita
O trabalho reuniu 51 estudos de coorte prospectivos, com 8. 819. 894 participantes. O acompanhamento durou de dois a 32 anos, e a idade média dos participantes variou entre 23,9 e 77 anos. Dos estudos, 16 foram realizados nas Américas, 25 na Europa, oito na Ásia e dois na Oceania.
Os pesquisadores estimaram o consumo alimentar por questionários de frequência, recordatórios de alimentação de 24 horas e históricos alimentares. Foram avaliados câncer, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e diabetes, doenças digestivas, obesidade e sobrepeso, depressão e ansiedade, pressão alta e mortalidade por qualquer causa.
Ultraprocessados são produtos submetidos a várias etapas de processamento industrial e que geralmente contêm diferentes aditivos. Eles costumam ter mais açúcar e sódio e menos fibras, proteínas, vitaminas e minerais.
Os autores apontam que múltiplos aditivos poderiam produzir um chamado “efeito coquetel” no organismo. Também citam alterações na composição física dos alimentos, possíveis efeitos sobre o microbioma intestinal e relações com inflamação e resistência à insulina. Entre as substâncias que podem se formar durante o processamento estão a acrilamida e a acroleína.
Recomendações e limites
Os pesquisadores defendem que a redução gradual do consumo e a substituição por alimentos minimamente processados podem integrar estratégias de prevenção e cuidados em saúde. A orientação deve considerar a alimentação habitual, as preferências, o contexto cultural e as condições socioeconômicas de cada pessoa.
O estudo também sugere rótulos de advertência na parte frontal das embalagens e medidas voltadas a determinados tipos de ultraprocessados. Ainda não há consenso sobre um nível seguro de consumo, e os autores afirmam que persistem dúvidas sobre os efeitos de longo prazo.
O aumento de 4% associado a cada 100 gramas adicionais não significa que uma pessoa que consuma 100 gramas terá 4% de chance de desenvolver câncer. O percentual representa a associação estatística observada, enquanto o risco individual depende de outros fatores.








