MILÃO — A combinação entre menor consumo de alimentos ultraprocessados e atividade física moderada a vigorosa foi associada a uma redução de até 70% no risco de desenvolver diabetes 2. O efeito também apareceu entre pessoas com alta predisposição genética, grupo em que a queda foi de 49%.
O estudo foi apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, realizada em Milão, na Itália, entre esta segunda-feira, 28, e sexta-feira, 2. A análise utilizou dados de 56.964 adultos, com idade média de 69 anos, reunidos no UK Biobank, banco de dados de saúde pública e genética do Reino Unido.
Alimentação e exercício
Os pesquisadores classificaram os alimentos pela Nova, conceito estabelecido pelo epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro. A pesquisa avaliou o consumo de produtos ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar adicionado e gorduras, e cruzou as respostas sobre alimentação com registros de atividades físicas obtidos por dispositivos de monitoramento.
Foram consideradas atividades como ciclismo, caminhada rápida, tarefas domésticas, jardinagem e passeios com o cachorro. Segundo o estudo, esses exercícios geram esforço físico contínuo e elevam as frequências cardíaca e respiratória.
A probabilidade de desenvolver diabetes aumentou 7% a cada 10% de participação dos ultraprocessados, em peso, na dieta. Entre os participantes que cumpriam a recomendação da Organização Mundial da Saúde de fazer 150 minutos de exercícios moderados a vigorosos por semana, o risco foi 39% menor do que entre aqueles que se exercitavam menos.
Predisposição genética
Entre as pessoas com alto risco genético, a prática adequada de exercícios foi associada a uma redução de 33% no risco. O consumo de ultraprocessados equivalente a 11% em peso ou menos do total da dieta foi relacionado a uma queda de 35%.
Com os dois hábitos combinados, a redução foi de 49% entre os participantes com alta predisposição genética, 70% entre aqueles com predisposição média e 59% nos voluntários com baixa predisposição.
“É importante descobrir isso porque, ao contrário da predisposição genética, a dieta e a atividade física são coisas que as pessoas podem mudar”, disse a pesquisadora Wenxin Xu, da City University de Hong Kong.
Os resultados não comprovam uma relação de causa e efeito. Para a pesquisadora, “nossos genes não determinam nosso destino”.








