MUNIQUE — Um sistema apresentado por pesquisadores japoneses usa imagens do rosto para estimar sinais associados à hipertensão e ao diabetes. A tecnologia combina uma câmera comum com inteligência artificial e analisa alterações sutis na pele e no fluxo sanguíneo durante os batimentos cardíacos.
O método foi mostrado no Congresso Europeu de Cardiologia, realizado em Munique. A partir dos dados captados, o algoritmo calcula a rigidez das artérias e outros marcadores relacionados à pressão alta e à elevação da glicose no sangue.
Desempenho nos testes
Em uma gravação de 5 segundos, o sistema identificou corretamente casos de hipertensão em 90% das situações. Com 30 segundos de vídeo, o índice chegou a 95%. Para o diabetes, os acertos foram de 81% em 5 segundos e de 88% em meio minuto.
A proposta dispensa manguito, agulha e coleta de sangue, mas os resultados ainda são iniciais. O estudo reuniu 215 voluntários em um único centro no Japão. Além disso, a estimativa de valores exatos da pressão apresentou variação maior do que a aceita por critérios internacionais para aparelhos de medição.
Limites da tecnologia
Os dados apresentados em congressos ainda não passaram pelo processo completo de publicação científica. Também permanecem dúvidas sobre o funcionamento do sistema em pessoas de diferentes idades e tons de pele, sob condições variadas de iluminação e com celulares comuns.
Os próprios autores apontam a necessidade de estudos maiores e com populações diversas. Por enquanto, a ferramenta pode ajudar no rastreamento, mas não substitui o aparelho de pressão usado em consultórios nem a medição da glicose em laboratório.
A hipertensão e o diabetes podem avançar sem sintomas. No Brasil, cerca de um em cada quatro adultos tem pressão alta, e mais de 10 milhões de pessoas vivem com diabetes, muitas sem diagnóstico. Uma tecnologia sem contato poderia ampliar a identificação de pessoas que precisam buscar avaliação médica, mas a confirmação depende de exames e profissionais de saúde.








