Daniel Susskind defende uma reformulação da educação para preparar crianças e adultos para um mercado de trabalho transformado pela inteligência artificial. Em seu livro "What Should My Children Do?: How to Flourish in the Age of AI", ainda não editado no Brasil, ele combina preocupação com os efeitos da tecnologia e confiança nas oportunidades criadas por ela.
O autor afirma que a IA generativa já consegue projetar edifícios, elaborar argumentos jurídicos e criar histórias. Por isso, considera cada vez menos útil usar o nível de educação formal exigido por uma tarefa para prever se ela poderá ser automatizada.
Formação profissional
Com a automação de atividades de início de carreira, Susskind propõe que profissões de colarinho branco adotem métodos de aprendizagem prática associados ao treinamento de trabalhadores de colarinho azul. A ideia é acompanhar mentores experientes e aprender, desde cedo, a lidar com a complexidade de cada área.
Ele também sugere o uso de simulações com IA generativa para treinar profissionais. A tecnologia poderia reproduzir métodos empregados na engenharia e na Fórmula 1, além de preparar trabalhadores de setores como a contabilidade.
Para o autor, saber usar a IA de maneira eficaz se tornou uma competência fundamental. O currículo deveria abordar a história da tecnologia, seus pioneiros, questões éticas e as limitações dos diferentes modelos. O objetivo é formar usuários capazes de avaliar os resultados, em vez de confiar cegamente neles.
Susskind concorda com Tyler Cowen que um terço de cada curso universitário deveria ser dedicado à IA. Ele também alerta que a educação não pode deixar de desenvolver leitura, escrita, matemática e análise científica.
Concentração e habilidades humanas
O autor defende que a educação deve formar cidadãos, e não apenas trabalhadores mais produtivos. Também considera necessário fortalecer a concentração dos jovens diante das redes sociais. Um terço dos americanos de 13 a 17 anos está nessas plataformas quase constantemente, segundo o livro.
Susskind avalia que a IA pode melhorar a aprendizagem personalizada ao longo da vida, mas afirma que os seres humanos continuarão valorizando atletas e músicos humanos, objetos feitos à mão e a empatia em áreas como saúde, assistência social, psicoterapia, orientação espiritual e ensino.
Ele cita ainda a permanência de torneios de xadrez entre humanos 30 anos depois de o Deep Blue derrotar Kasparov. Para o autor, o desafio não é empurrar jovens para ocupações que a IA ainda não consegue exercer, mas ajudá-los a descobrir quem são, e não apenas o que fazem.








