O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Xi Jinping de que qualquer ajuda da China ao Irã durante o conflito no Oriente Médio seria considerada “totalmente inaceitável” por Washington. A conversa ocorreu na Casa Branca nesta quinta-feira (24), e o alerta foi divulgado nesta sexta-feira (25) pelo embaixador americano em Pequim, David Perdue.
Perdue afirmou que os Estados Unidos já haviam transmitido a advertência nas últimas semanas e que Trump voltou a tratar do tema diretamente com Xi. A ameaça, segundo o diplomata, abrange apoio direto ou indireto, incluindo o eventual fornecimento de informações de inteligência, componentes e equipamentos militares.
“O presidente Trump deixou isso muito claro novamente ontem”, disse Perdue.
Trump confirmou que conversou com Xi sobre a guerra envolvendo o Irã, mas não apresentou detalhes. O governo chinês também confirmou que a situação no Oriente Médio foi discutida, sem mencionar a advertência americana. Mais tarde, Perdue afirmou que Pequim garantiu aos americanos não estar fornecendo a assistência questionada por Washington.
Pressão sobre empresas e redes chinesas
A cobrança ocorre após meses de medidas do governo Trump contra empresas e redes localizadas na China acusadas pelos Estados Unidos de enviar dinheiro, tecnologia ou equipamentos ao Irã.
Em junho, o Departamento do Tesouro americano sancionou empresas e indivíduos da China e de Hong Kong sob acusação de participar da compra de equipamentos para a Guarda Revolucionária e o Ministério da Defesa iraniano. O órgão afirmou que as redes ajudavam Teerã a obter componentes para programas militares.
A relação energética entre os países também preocupa Washington. Em abril, o Tesouro informou que a China comprava aproximadamente 90% das exportações de petróleo iraniano, principalmente por meio de refinarias independentes. A refinaria chinesa Hengli Petrochemical foi sancionada por comprar bilhões de dólares em petróleo do Irã.
Em agosto, novas sanções atingiram navios e empresas sediadas ou em operação na China e em Hong Kong, acusadas de transportar milhões de barris de petróleo iraniano para o mercado chinês.
Relação entre China e Irã
Pequim mantém uma relação política próxima com Teerã. No começo deste mês, o chanceler chinês Wang Yi recebeu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em Pequim.
Wang chamou China e Irã de “parceiros estratégicos abrangentes” e defendeu o fortalecimento do diálogo e da cooperação. Ele também pediu a retomada das negociações entre americanos e iranianos.
Nesta quinta-feira, antes do encontro entre Trump e Xi, o porta-voz chinês Guo Jiakun voltou a defender uma solução negociada e disse que a continuidade do conflito não atende aos interesses das partes nem da comunidade internacional.








