SAN FRANCISCO E NOVA YORK — O receio com a privacidade pode retardar a adoção de dispositivos de inteligência artificial criados para suceder o smartphone. Empresas testam formatos como óculos, broches, pingentes e gravadores de voz conectados magneticamente a celulares.
Os óculos Ray-Ban da Meta estão entre os produtos que mais enfrentam resistência. O dispositivo combina o design da EssilorLuxottica com a inteligência artificial da empresa de Mark Zuckerberg, mas passou a ser criticado por usuários preocupados com gravações secretas e por especialistas que veem riscos ao anonimato e ao consentimento.
No Reino Unido, estabelecimentos como a rede de pubs Wetherspoon restringiram o uso dos óculos. Tribunais também analisam ações judiciais relacionadas à privacidade.
A Meta deve apresentar óculos inteligentes sem câmera nesta quarta-feira (23), durante uma conferência da empresa. A iniciativa ocorre enquanto as companhias buscam uma parcela do mercado de smartphones, avaliado em mais de US$ 600 bilhões.
Confiança do público
Algumas empresas têm conseguido aceitação mais rápida no setor empresarial do que entre consumidores comuns. O resultado do debate sobre privacidade pode influenciar o futuro dos dispositivos vestíveis com IA, cujos recursos incluem câmeras sempre ligadas, microfones e percepção do ambiente.
Jay Kim, vice-presidente executivo da divisão de dispositivos móveis da Samsung, afirmou que os produtos mais bem-sucedidos serão os que oferecerem interação natural, utilidade e confiança. A empresa planeja entrar no mercado de óculos inteligentes ainda neste ano, em parceria com a Gentle Monster e a Warby Parker, mas não considera esses dispositivos substitutos dos smartphones.
Para startups, a proteção da privacidade pode ser decisiva. Em dezembro, o CEO da OpenAI, Sam Altman, descreveu um dispositivo sempre ligado, capaz de compreender o ambiente do usuário e identificar quando deve ajudar ou permanecer em silêncio.
Altman defendeu que produtos desse tipo processem os dados localmente, em vez de enviá-los continuamente para a nuvem. “Você quer um dispositivo em que possa confiar... que tenha o contexto completo e saiba quando ser útil e quando não ser”, disse.








