O Muse, agente de inteligência artificial da Meta, foi usado durante duas semanas para executar tarefas cotidianas, como fazer ligações, preencher formulários, organizar gastos, cancelar assinaturas e negociar compras. O aplicativo exige acesso a contas pessoais e está disponível gratuitamente, com planos pagos de US$ 20 (R$ 103) ou US$ 100 (R$ 516,89) por mês.
Durante o teste, o agente recebeu acesso a contas bancárias, e-mail e aplicativos como Google Docs, Gmail, Ticketmaster, OpenTable e Google Sheets. O usuário também conectou cartões de crédito e pediu que o Muse acompanhasse as despesas em uma planilha. O sistema analisou centenas de linhas de dados, encontrou duas assinaturas duplicadas e as cancelou.
O Muse também usou o e-mail para solicitar o reembolso de um período de teste gratuito de um jornal. A ação resultou em uma economia de US$ 44,99 (R$ 231).
Ligações e formulários
O agente conseguiu preencher formulários on-line e pagar uma multa de estacionamento, mas pediu autorização antes de concluir a operação. Durante as tarefas, o usuário acompanhava a navegação em uma pequena janela do navegador, com movimentos de mouse e cursor semelhantes aos de uma pessoa.
O Muse também fez ligações telefônicas com vozes chamadas Brett e Hailey. No caso da seguradora odontológica, informou o número de associado, respondeu a uma pergunta de segurança e aguardou na linha até transferir a chamada para um atendente.
O aplicativo, porém, teve dificuldades para acessar alguns sites de terceiros. Não conseguiu comprar ingressos para um jogo de futebol americano do San Francisco Giants sem ajuda e apresentou problemas para entrar na conta de recompensas da AMC.
Negociação no Marketplace
Em outro teste, o agente pesquisou tigelas da Heath Ceramics no Facebook Marketplace e enviou mensagens a vendedores. A orientação era comprar itens por metade do preço de varejo e negociar o máximo possível. O Muse começou as conversas com ofertas US$ 20 (R$ 103) abaixo dos preços anunciados e consultou o usuário após receber contrapropostas.
Um vendedor chamado Ashley, que não informou o sobrenome, aceitou vender um prato por US$ 40 (R$ 206). O comprador acabou adquirindo o item por esse valor, pouco mais da metade do preço de varejo.
A experiência também expôs limites da automação. Uma mensagem destinada ao agente foi enviada por engano para Ashley, que respondeu: "Espero que você tenha mais sorte com seus agentes." Depois, Ashley afirmou: "Para mim, simplesmente não consigo superar essa questão da privacidade."
O acesso a dados pessoais é uma das principais questões envolvendo o Muse. O serviço foi bloqueado pela Amazon no domingo, e alguns sites restringem a atuação de agentes em seus termos de serviço. O login no aplicativo é feito pelas contas do Instagram e do Facebook, e o uso gratuito tem limites.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, costuma associar agentes de inteligência artificial à ideia de "empoderamento pessoal". O Muse é apresentado como um agente voltado ao consumidor, capaz de navegar na internet, acessar sites, preencher planilhas e fazer ligações em nome dos usuários. Ainda não está definido se esse tipo de ferramenta terá ampla adesão, especialmente diante das preocupações com privacidade.








